domingo, 21 de abril de 2019

Ele ressuscitou por nós !





Ressuscitou! Jesus ressuscitou, venceu a cruz, fez-se maior que a morte, mostrou-nos que o que parecia o fim era, por essência, o verdadeiro começo.

Temos vivido um tempo quase que de luto diário. Temos visto nossa esperança perecer diante de tantos absurdos que se somam ao longo o tempo. Somos bombardeados por más notícias e contaminados pelas forças do mal, que nos levam a crer que o mundo não tem mais jeito e que as pessoas estão num caminho sem volta. Eis, pois, nesse tempo conturbado, a melhor de todas as notícias: o Amor ressuscitou!

Nesse tempo de Páscoa ecoa em meu coração, tudo o que Jesus falou, ensinou e viveu. Ecoa também o chamado para me transformar diariamente. Acredito muito que a nossa experiência diária da transformação permite-nos contribuir efetivamente para a vitória da Luz, da Paz e do Amor.

Viajo por tudo o que aprendi, do Sermão da Montanha - que me lembra onde mora nossa verdadeira felicidade e me ensina que para ser bendita é preciso diminuir - até o Pai Nosso, que me provoca a perdoar a todos (inclusive a mim mesma).

Nessa viagem relembro que não posso deixar meus talentos enterrados, que a “lógica” de Deus não é a minha, que Marta e Maria se complementam no exercício do discipulado e que o AMOR é o maior de todos os mandamentos.

Verdade.... Tantas são as tentações que nos rondam ao longo da caminhada!!! Que estejamos atentos: não queiramos a perfeição, porque Ele veio para os imperfeitos, mas jamais desistamos da busca pela santidade. Sabemos que santos não foram pessoas perfeitas, mas aquelas que sabiam seu ponto de partida e de chegada e encararam todas as pedras e quedas como parte do caminho, oportunidades de crescimento. Jesus ressuscitou para acolher nossa pequenez, perdoar nossos pecados e nos fazer entender que Seu Amor é maior que todos os nossos espinhos.

Do mergulho em todos os aprendizados e lembranças, a maior e melhor de todas, a que embala nossa fé: Jesus ressuscitou por amor a cada um de nós, sem exceção! Ele ressuscitou para nos recordar que a cruz faz parte da caminhada de todos os que assumem o SIM ao projeto de Deus. Não é fácil! Nunca será, mas, agora, - lembra? - vibra a certeza que nos impulsiona a não desistir: Ele ressuscitou! Ressuscitou para resgatar, em nossos corações, a convicção de que mesmo que a dor chegue, as feridas cicatrizarão porque a dor não tem fim em si mesma.

Jesus ressuscitou para nos inquietar, mostrando-nos que, muitas vezes, faz-se necessário deixar algo morrer em nossas vidas, desapegar do que é relativo para que ressuscite o Absoluto em nossos corações, ressuscite o Eu Novo que descobre a “graça” da vida nova a cada encontro.

Feliz Páscoa a todos e a cada um em especial, com a coragem de deixarmos pra trás o vício de fixar o olhar no chão, como lagartas que rastejam sem a verdadeira dimensão do horizonte! Feliz Páscoa, com a coragem de nos lançarmos ao voo da vida verdadeira, com todos os seus riscos e todas as flores por pousar... Feliz Páscoa com sabor de Infinito!

Que o Cristo ressuscitado nos inspire, nos fortaleça e abençoe nossos passos e nossos voos!!!

                                                          
Renata Villela

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Deus de todos os nomes


O meu Deus chamou-se Javé,
Aquele que é,
acima de todas as coisas,
para além de todos os nomes.
Aquele que pulsa
onde quer que haja corações carentes
e, ao mesmo tempo, amantes.

Deus é um só, Aquele que É!
Habita no coração de toda gente que pratica o bem
e, também,
bate insistentemente na porta
dos que não o praticam...
Deus não exclui ninguém!
Ele é o Todo e o Tudo,
é abraço, é enlace, é perdão!

Deus não é meu, Ele é de todos nós!



É o Puro Amor que ensina fraternidade,
Aquele que pulsa para além das opiniões
e das religiões.
que se concretiza em comportamentos e alianças
e nos faz como crianças
que têm brilho próprio no olhar.


Que importa se O chamam de Buda ou Oxalá,
Brahma ou Tupã?
Deus é o Deus do ontem, do hoje e do amanhã,
Dono do tempo,
Deus de todas as raças, de todos os povos
com todos os rostos,
Criador do Céu e da Terra,
Semeador da Paz.


É essa paz que Ele me inspira a também semear...
E é desse Amor que traz a paz,
que faz a paz,
que sou eterna aprendiz.

Eu ? Eu encontro Deus na natureza,
na beleza de encontros,
no silêncio da oração.
Meu Deus é Trindade,
meu Amigo é Jesus,
O Pobre de Nazaré,
Filho muito Amado de Javé!
É Jesus quem me ensina,
a partir de Seu legado,
de Suas palavras e de Suas ações
que o Amor é essência,
traz paciência e tolerância,
jamais cultiva julgamentos ou separações.

Amor de Deus e em Deus é verbo.
Amar sempre implica comunhão,
integração que nasce do respeito
aos que pensam de modo diferente,
aos que vivem de forma diferente.
Quem não entende essa premissa
não tem como colar no peito
e gritar ao vento
o título de cristão...
Até porque cristão não tem título,
não põe rótulos,
sabe-se pequeno, entende que é aprendiz.

Senhor,
entre tantos julgamentos
e falta de entendimento,
recolhe pelo caminho,
as ovelhas perdidas,
cuida de suas feridas,
e sussurra para elas,
a sutileza de Seu Amor.
Com todo carinho,
faz com que entendam a Sua Verdade,
para além de conceitos e preconceitos,
de soberba e vaidade.


Senhor,
nesse tempo de tanta discórdia,

tende misericórdia de nós !

Renata Villela - Fevereiro/2019

sábado, 26 de janeiro de 2019

Aprendizes da Lama


A minha alma chora sufocada
pela poeira que virá…
Meus olhos e meus ouvidos assustados
indignados com o que veem e escutam:
novos pés atolados na lama,
tantas vidas ceifadas pela gana
de querer mais
e fazer menos o que realmente importa.
Novamente a lama toma conta de tudo
novamente o Brasil em luto
por irresponsabilidade de alguns.


Justamente nesse tempo
em que se discute a revisão das leis de preservação do meio ambiente
em prol da produtividade
a natureza dá seu recado,
mostra-nos a verdade
que fica escondida sob cifrões…

Quantas Marianas e Brumadinhos serão necessários
para sairmos desse aquário
que nos impede de chegar ao mar?
Quantas vidas serão perdidas na lama?
Quanta grana será acumulada sob a crueldade que subjuga o ser humano?


A tristeza que afoga minha alma
insistindo pela desesperança
não há de ser maior do que a confiança que tenho em Deus
e na humanidade.


Haveremos de mudar o rumo da história…
A memória desses fatos não pode ser apagada
e a fogueira de nossa coragem há de ser reacendida
pela consciência de sermos nós,
os escritores do que está por vir…


E nós escreveremos uma história nova
respeitando a natureza e todos os seus filhos
dando valor ao que realmente tem valor
e reforçando a cor da vida em todas as estações.

Eu acredito!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Conversando com o Menino Jesus





Dezembro sempre traz com ele, o rito de passagem mais amplamente vivido pela humanidade. Fecha-se um ciclo. É tempo de revisar os feitos, revisitar planos, rever estratégias, repensar decisões, refletir sobre atitudes e omissões, contabilizar os ganhos e as perdas e analisar o saldo que o ano deixa. Sendo o Natal comemorado justamente nesse tempo, ele nos move a abrir o novo ciclo que se desponta a nossa frente com esperança. Essa é a palavra: esperança! Ganhamos forças para retomar nosso compromisso com a missão que nos foi confiada por Deus porque Jesus nasceu criança e nos convida a ser criança também!

2018 não foi um ano fácil... Mais um ano que não foi fácil! Crianças e jovens foram, novamente, vítimas da violência desenfreada, corrupção teimosamente crescente, escolas mais vazias e hospitais mais cheios. Mais pessoas desempregadas e muitas delas vivendo abaixo da linha de pobreza. Mais guerras, mais refugiados, mais “pecados sociais”. Além de tudo isso, vivemos uma crise tão grave quanto à econômica (ou mais): a crise das relações afetivas. Sob holofotes, vimos nossa incapacidade de respeitar o outro. Vivemos desentendimentos e nos deparamos com nossa dificuldade de dialogar, praticar empatia, ser flexíveis, respeitar e amar quem pensa, sente e vive diferente de nós. De repente, ficamos cara a cara com nossa pequenez e nos demos conta do quão frágeis e vulneráveis somos. Olhando para nosso eu mais íntimo, vimos que ainda estamos muito distantes de viver como Você, Menino Jesus, quis nos ensinar.

Ah, meu  Menino, não desiste de nós !

Fico imaginando que, nos dias de hoje, Você estivesse esperando para nascer nos barcos clandestinos que cruzam o Mediterrâneo, nas fronteiras dos países em guerra ou nas calçadas de nossas cidades.... É absurdamente crescente o número de moradores de rua em nossas cidades... Ou então, Imagino Maria grávida, caminhando pelas ruas das comunidades cariocas tentando escapar das balas perdidas, quem sabe ainda, buscando água num açude distante do sertão nordestino, em alguma cidadezinha quem nem aparece no mapa, como era Nazaré. E nós nem nos importamos com Você...

Temos ficado tempo demais com os olhos no celular, com a cabeça em nossos problemas pessoais e não temos conseguido ir ao Seu encontro. Ao contrário dos Magos e dos pastores, estamos trancados em nossos condomínios, presos em nossos compromissos e não percebemos o brilho da estrela.

De novo, pedimos: não desiste de nós, Menino Jesus!

Dá a cada um de nós, uma nova chance de sermos pessoas melhores. Ensina-nos a olhar para o Alto e compreender Seus Sinais. Inspira-nos a nos desapegar do que temos de mais precioso para entregar-Lhe, voltando por caminhos diferentes para vivermos uma vida diferenciada.

Coloca-nos de frente com Maria e José para que aprendamos a simplicidade de suas atitudes, a profundidade de suas escolhas e absorvamos a coragem de dizer sim e de nos colocar disponíveis à vontade do Pai. Jesus, Você que nasce nas diversas manjedouras espalhadas pelos cantos mais esquecidos do nosso planeta, vem nascer também em nossos corações!

Nasce em nós, Jesus, Menino de Nazaré, e resgata o que temos de mais bonito, garimpa tesouros em nós, transforma nossos espinhos, cada pedra e nossas dores em aprendizado. Adoça nossas amarguras e não deixe, jamais, que a esperança pereça em nossos corações.

Nasce em nós, Jesus Menino, escancara aos nossos olhos, nossa fragilidade e derrama bênçãos e forças sobre as nossas vidas. Que Sua força seja a nossa força e que, assim, continuemos nos indignando com as injustiças, movimentando-nos na direção de quem mais precisa e nos incomodando com os gritos e os silêncios de nossa sociedade. Inquieta-nos, diariamente, com a vontade insaciável de natalizar os corações, as pessoas e todo o mundo. Por que não?

Que seja Natal em nós para que vivamos a experiência do Natal verdadeiro entre nós ! Que nossos corações -manjedouras estejam abertos para acolhê-Lo. Que sejamos pessoas melhores a partir dessa experiência de Amor que se renova todos os anos. Que ela nos renove todos os dias e que mantenhamos nossos corações atentos para que nossos olhos não se desviem nem do brilho da estrela nem do brilho de cada olhar.

Que assim seja!

Amém !                                                               

 Renata Villela  -  Dezembro 2018

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Política e comportamento





Eu entendo e acolho a divergência política - isso é democracia.
Eu entendo e acolho os que são a favor da privatização das estatais, assim como os que são contra, porque isso significa percepções diferentes sobre a política econômica do país. Isso também é democracia.
Eu entendo e acolho os que são neoliberais e que veem no "mercado" a saída de muitos problemas, assim como entendo e acolho os que colocam a prioridade no desenvolvimento social e temem pelo capitalismo selvagem. Essa também é uma divergência que se discute num país democrático.
Eu entendo e acolho a contrariedade do povo em relação à corrupção que tomou conta da política em nosso país e entenderia que essa contrariedade levasse à indignação que gerasse um movimento crítico diante de nossos problemas. O que não consigo entender é depositar em um único partido toda culpa dos erros que todos cometeram, como se os políticos de todos os outros partidos fossem pessoas do bem.
Eu entendo e acolho que todos estejamos cansados de tanta violência, da nossa vulnerabilidade num país onde a lei só vale para uns, mas não consigo entender nem aceitar que se pense que o armamento e a incitação à violência sejam colocados como solução.
Eu entendo e acolho a indignação das pessoas em relação às questões morais, à banalização do respeito ao outro, entendo que pessoas tenham valores e comportamentos diferentes. Uma coisa que até agora eu não consegui entender é o fato de se estar delegando ao presidente da república atitudes que cabem às pessoas, às famílias e à sociedade. Respeitar o outro, aceitar as diferenças, respeitar cada crença, saber se comportar socialmente e outras tantas coisas são valores e ensinamentos que cabem a cada um de nós, não ao presidente do país. A esse, cabe direcionar o desenvolvimento socio-economico do país, implementar melhorias na educação e na saúde, rever a questão dos impostos e colocar pra rodar a reforma política que tanto ansiamos.
Enquanto estivermos na dicotomia do Salvador da Pátria x a Geni, endeuzando ou jogando pedras, só estaremos destruindo a nós mesmos.
E, pra concluir, eu acho que todo radicalismo e generalização são burros.
Tenho amigos homossexuais que são pessoas maravilhosas e têm comportamentos muito mais íntegros do que muitos héteros. Muheres que se posicionam politicamente e que vão às ruas não podem ser taxadas de vagabundas e promíscuas.  Quem mora nas favelas não é, necessariamente, marginal. Em todas as classes sociais, religiões, gêneros, ideologias há pessoas boas e pessoas não tão boas. Nós todos erramos e acertamos. Isso é inerente à vida e escolher caminhos cabe a cada um de nos, não ao presidente.
 Não acredito em super heróis nem em quem se entitula defensor da moral. Todos os que, de fato, lutaram e lutam pelo bem comum, o fizeram e fazem sem fazer barulho.
Eu acredito que somos nós os responsáveis  por fazer desse mundo que vivemos,ummundo  mais saudável.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Marielle, presente !




Quando no meio da lama política
e do caos social;
no meio das guerras do tráfico
e do abuso policial,
uma voz se levanta
alertando sobre o que é ilegal (ou imoral)
é sinal de que alguém sobrepôs-se ao perigo
e assumiu – com fervor – seu papel.

Na favela,muitas vozes se calam
diante da realidade imposta
e da luta desgastada
pela sobrevivência...

Na favela, poucas vozes ousam gritar
e as que gritam se expõem
e as que se expõem, arriscam-se.
Abalam estruturas consolidadas, sim,
mas, infelizmente,
 são surpreendidas pelo fim da história
antes do último capítulo.

Marielle, negra e mulher,
Voz de Acari e da Maré,
assumiu para si a dor
e o grito sufocado
de tantas minorias.

Ironia?
Agonia...Selvageria...Covardia...
Executaram Marielle
de forma brutal, de um jeito cruel.
Mataram Anderson, pai de família,
mais um trabalhador que morre
no exercício de sua profissão.
Marielle, mais uma mulher que perde a vida,
mais uma negra que aumenta a estatística
da violência em nosso país...
Triste país, órfão de seus filhos.

Executaram Marielle
mas não calarão a voz que denunciava 
o que outros temiam falar, tanto mal....
Nem tampouco pararão a luta dos que acreditam
em uma sociedade mais justa e igual.

Marielle, antes vereadora de uma única cidade
torna-se embaixadora do povo de todos os lugares,
rompendo fronteiras e nacionalidades.
Marielle, socióloga que transformou estudos acadêmicos em ação
passa a marcar com seu sangue a história desse país sem direção.
País que agoniza
porque não prioriza a vida
sob nenhuma perspectiva,
em nenhuma situação.

Uma voz que se cala
na vala da morte mais cruel.
Não! Não se calará!
Mais um tiro,
Tantos tiros,
mais dois corpos jogados ao chão...

Os que tentaram calar Marielle
esqueceram que a voz que ela gritava não era só dela,
vinha dos moradores de todas as favelas
e de todos os bairros nobres (por que não?)
Vinha de todas as pessoas cansadas da violência
e de tanta impunidade
da leviandade
e de tanta distorção de valores.

Aos que tentam comparar a morte da Marielle
com tantas outras que acontecem todos os dias
eu só digo que morte não se compara,
que a dor que a violência causa
em que circunstância for
abre escaras profundas em todo e qualquer coração.

A morte de Marielle, entretanto,
é mais que uma vida a menos:
é tentativa hipócrita de de calar a voz
de quem não abaixou a cabeça.

A morte de Marielle
reune em si todas as mortes que ficaram impunes
e foram esquecidas;
reune em si todas as vozes que ficaram caladas
e todas as dores que não foram tratadas.
A morte de Marielle dá nome
a todas as vítimas anônimas
e a todas as famílias enlutadas.

Em paralelo,
enquanto  a morte de Marielle acorda
toda coragem adormecida
de um povo desacreditado no amanhã,
a vida de Marielle instiga 
e inspira cada um de nós
a também soltar nossa voz,
assumir nosso papel
e cumprir nossa missão.

Marielle, presente!
Sua luta não foi em vão.