terça-feira, 7 de julho de 2026

Meu olhar para a Seleção e para o Brasil na Copa 26

 


Entramos na Copa sabendo que não tínhamos chance de ganhar a taça. Entramos na Copa conscientes de que o Ancelotti teve pouco tempo para fazer com que os jogadores se tornassem time, depois de um período turbulento em que a o futebol sofreu várias interferências que eram tudo, menos esportivas. Entramos na Copa com vários jogadores lesionados pouco tempo antes da convocação e outros, depois dos primeiros jogos. Passamos nas eliminatórias de raspão e perdemos alguns jogos amistosos realizados. Brasileiros teimosos que somos, depois da abertura da Copa começamos a acreditar piamente que traríamos o hexa, que a taça era nossa... Não queríamos dar asas à razão, queríamos sonhar, curtir o momento e acreditar que, mesmo contra todas as evidências, seríamos campeões!

Com certeza, a Copa traz uma energia diferente, boa de se viver! São goles de alegria que bebemos a cada fim de jogo com a vitória de nossa seleção! São litros de esperança que engolimos e que, de forma mágica, vão diretamente ao coração, curando nosso complexo de cucaracha, afastando-nos de tudo o que nos angustia ou aborrece na nossa vida de todo dia. Mesmo que de forma inconsciente, transferimos para a Seleção, na Copa, a certeza do sonho realizado, ainda que individualmente, possamos somar frustrações e, como sociedade, vivamos encurralados entre a violência e o abismo social. O período da Copa do mundo é a fase anestésica que a gente quer que dure para sempre e, não sejamos ingênuos, isso é alimentado por muita gente, com interesses os mais diversos.

Deixando o coração falar, o fato é que todos nós queríamos o hexa! Alguns, cegamente; outros, conscientes das dificuldades, mas com a fé que move montanhas; outros ainda, pensando nos sonhos das crianças ou na desejada alegria dos idosos.... Somos brasileiros e brasileiro sonha, acredita, vibra, voa alto... Só que depois cobra, julga, pega pesado, sem piedade.

Não sou profunda conhecedora da filosofia nem das regras do futebol, mas gosto e assisto bastante. Não entendo de estratégias, de formas de jogar, mas conheço um pouco sobre pessoas. E é sobre elas que quero falar! Para mim, a Seleção não jogou mal, a bola foi teimosa. Houve um pênalti perdido (quem nunca?), bolas não encontraram a direção do gol ou terminaram nas mãos do goleiro. Faz parte do jogo. Saiamos da ilusão de que somos capazes de controlar tudo. Os jogos de futebol não têm controle remoto... Eu tinha certeza, contudo, de que os momentos seguintes seriam de bombardeios contra o técnico e os jogadores. Dito e feito: heróis viraram vilões! É sempre assim! Queremos herói infalíveis, não jogadores de futebol.

Da fala dos críticos superpoderosos (eles sabem tudo!), a pergunta que mais me chamou atenção foi a que questionava se Vini Junior deveria ter pegado a bola para o pênalti ou obedecido à comissão técnica. Como assim, gente? Senso de hierarquia, noção de limites ficam onde, gente? Não “vale tudo”, não! Existem regras a serem cumpridas, existem lideranças a serem respeitadas.

Ainda sobre as falas dos comentaristas, fiquei chocada (sim, essa é a palavra) quando um deles comentou que aquele era o dia mais triste da vida dele. Que vida pequena, pensei!

Hoje de manhã, navegando pelo Instagran, ouvi a Carol Lobak falando que os noruegueses ganharam porque sempre tiveram o que comer, nunca precisaram comer miojo com salsicha nem nunca precisaram correr de tiroteios. Ela a trouxe uma série de exemplos de diferenças entre a história de cada um daqueles que entraram em campo. A camisa da Seleção pesa, a da Noruega, não. Sabem por quê? Porque os noruegueses estavam representando seu país, disputando uma partida de futebol, enquanto os brasileiros estavam carregando a responsabilidade de levar alegria e atender aos anseios de toda uma população, sobretudo das crianças mais pobres. Quando eles entram em campo, carregam o peso de representar um país onde tudo gira em torno de comparações com as lendas do futebol do século passado e, mais do que isso, o peso de tudo o que viveram, do que sonharam, do que sofreram e não querem decepcionar suas famílias, seus amigos, nem os milhões de torcedores brasileiros que veem neles, heróis que eles não são!

Não estou com isso trazendo os jogadores para um lugar de vitimização nem nada parecido. São responsáveis pelos erros que cometeram em campo, mas não são culpados por destruir os sonhos de ninguém.

Vemos a torcida dos times africanos aplaudirem seus times ao marcarem um único gol. Em paralelo, guardando as devidas proporções, nós só sabemos cobrar, temos uma dificuldade enorme de elogiar, de ressaltar o que é bom e quando ressaltamos, escrevemos de lápis e apagamos tão logo venha a primeira decepção.

Nós cobramos dos jogadores, a responsabilidade pelas 5 estrelas bordadas na camisa, fruto de uma história que a maioria deles nem viu acontecer...  Eu me pergunto: são mesmo eles, os jogadores, os responsáveis por essa desmedida tristeza que sentimos? Sabemos que ganhar e perder faz parte de qualquer jogo, mas não admitimos erros.

Nós queremos heróis, queremos gênios, nós queremos que os jogadores representem o que há de mais bonito em nosso povo, não queremos que pessoas comuns nos representem.

Sabem o que eu acho? Penso que nós, brasileiros, somos corresponsáveis pela derrota contra a Noruega. Por quê? Porque colocamos pedras nas camisas desses jovens. Em momento algum conseguimos enxergar a Seleção como um time de futebol que defende seu país. Alguns achavam que Neymar seria o gênio da lâmpada que, com seus superpoderes, nos traria a taça. Outros tantos clamavam por Endrick, um menino de 19 anos, como o salvador da Pátria... A gente não queria um time de futebol com bons jogadores. Queríamos um grupo de super-heróis! Alguém consegue ser empático e imaginar o que Endrick sentiu quando se jogou no chão depois do gol perdido? Alguém consegue, por alguns segundos, imaginar o que se passou na cabeça do Bruno quando perdeu o pênalti? Com certeza, nenhum dos dois pensou: perdi um gol. Pensaram: quantas pessoas estou decepcionando?...

A minha percepção é de que nunca mais seremos campeões enquanto focarmos na “tradição” da nossa camisa, enquanto buscarmos heróis e vilões em vez de simplesmente torcer e exigir um trabalho sério, de longo prazo, com os jogadores. Um time não se faz em dois meses. É preciso compartilhar experiências e expectativas, criar vínculos, internalizar os direcionamentos, acolher a liderança e construir junto com ela, construir um espaço comum de desenvolvimento, desenhar o caminho e caminhar junto.

Deixo para os especialistas, a análise técnica do que aconteceu, na perspectiva de aprendizados e não de caça às bruxas

Deixo um pedido para cada um de nós, para que repensemos nossa expectativa em relação aos jogadores da Seleção e redimensionemos nossos sentimentos em relação ao hexa, ao hepta ou a nos mantermos penta por mais um tempo. O que é nosso e o que é do jogo?

Deixo o desejo de que (me perdoem os críticos e os técnicos), para além da técnica e das estratégias, os responsáveis pela estrutura do futebol permitam que esses jovens possam colocar “o coração na chuteira” e jogar futebol resgatando a alegria dos meninos de pés descalços nos campos de várzea de suas comunidades, com alegria e leveza, apenas com a preocupação de jogar bem, não de prestar contas. Acredito que só assim construirão uma nova história, tendo o passado apenas como aprendizado e o olhar focado no amanhã.

                                                                                                    Renata Villela

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Mensagem de Natal


Vivemos um ano difícil... Além de termos que juntar os cacos da pandemia, experimentamos medos, discórdias, inseguranças, dores diversas... Entretanto, quando chega o final do ano, a esperança vai dando um jeito de encontrar seu lugar em nossos corações, trabalhando duro para limpar a poeira do que passou e abrindo as janelas, jogando luz para o que deve ficar como aprendizado para todos nós, como pessoas, como povo, como habitantes do Planeta Terra. 

Não vejo o Natal como o tempo mágico em que as pessoas se transformam e passam a fazer o bem... Vejo o Natal como oportunidade de revisarmos as nossas vidas e pensarmos em qual o verdadeiro sentido dessa celebração e o que precisamos fazer a partir dela.

Paro para contemplar a família de Nazaré chegando a Belém... Muito chão andado... Nazaré era uma daquelas cidadezinhas do interior, bem pobre, nem sei se estava representada no mapa... Penso nos povoados do sertão nordestino ou nos povos ribeirinhos da Amazônia... Aquele casal saindo de casa para cumprir um dever, encarando todas as dificuldades... Imagino o cansaço, a sede, a fome, a vontade de tomar um banho... Em Belém, contudo, de diferentes vozes, ouviram o mesmo “não”. Recolheram-se, então, num estábulo, no meio dos animais. A gente teima em romantizar essa cena: “Jesus nasceu numa manjedoura, em meio aos animais!” Não, a cena não tinha nada de romântica, era o retrato da sociedade: uma família de imigrantes, sem encontrar um lugar para descansar, vai para o meio das palhas, com cheiro de esterco, sem nenhuma higiene.... Maria e José não puderam tomar banho, não puderam descansar, não puderam se alimentar devidamente... Foi assim que Jesus nasceu. 

Não dá para desassociar essa cena das tantas cenas que vemos, hoje, em nossas cidades... Centenas de famílias nas calçadas, sob os viadutos, nas praças... De nada adianta enfeitar a casa com presépios, árvores, guirlandas, se continuarmos míopes diante da realidade “do mundo lá fora”. De nada adianta fazer ceias deliciosas se as “famílias sagradas” estão nas calçadas, sem ter o que comer. 

Nesse Natal, só tenho vontade de pedir perdão pela sociedade que “construímos”, pela forma como temos estruturado as relações sociais, com ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres e uma classe média “espremida” entre os dois lados, sem saber direito quem é e como viver... É com essa consciência, que eu peço ao Menino Jesus que tenha piedade de nós, que não desista de nós e que nos inspire a ser pessoas melhores.

Menino Jesus,

que, no meio dessa sociedade barulhenta, consigamos silenciar, sempre que for necessário, e cantar, tocar, levar música aos corações sedentos de harmonia.

Que, em meio à discórdia, onde tantos semeiam violência, sejamos instrumentos de paz e amor, aquele amor que acolhe e cuida (o que é, ainda, um grande desafio para nós).

Que, quando todos estiverem se deixando levar pela turba, para qualquer lugar onde os poderosos os manipulem a ir, tenhamos o discernimento de escutar a Sua voz e entender os Seus sinais.

Que – de dentro para fora – olhemos para o povo em situação de rua, os que vivem em comunidades, os desempregados e todos os que estão na linha da pobreza, buscando entender o que os levou até ali, sem julgar, atuando, da forma que nos for possível, para mudar essa realidade.

Que, em meio a tantos discursos xenofóbicos, misóginos, homofóbicos, preconceituosos, lembremos de quem foram os Seus escolhidos e nos desarmemos das palavras e atitudes que discriminam os diferentes de nós, com a predisposição de amar. Amar os próximos é muito fácil.... Que sejamos o eco de Sua voz em nossas atitudes diárias!

Menino Jesus, aqui estamos! Queremos ser pessoas melhores... Ajuda-nos! Queremos fazer acontecer uma sociedade mais justa. Cura nossa cegueira e nossa incapacidade de caminhar para onde precisamos ir. Estamos dispostos a faxinar nossos corações para deixá-Lo nascer em nós. Acreditamos que, somente deixando-O nascer em nós, seremos capazes de sair de nossos casulos e nos metamorfosear, ganhar asas para além de nossos mundinhos e entender que, como diz Beto Guedes, “um mais um é sempre mais que dois”. Faz com que encontremos o caminho para sermos um+um+um+um, na sagrada experiência de percebermo-nos “nós”.


Esse é o meu desejo para todas as pessoas, para todas as famílias: que esse Natal seja um tempo de oração, de comunhão, de transformação, de acolher a Novidade do Amor e – verdadeiramente - amar, em gestos concretos e atitudes diárias!

Renata Villela - Dezembro 2022


quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Bem-aventurados



É importante derrubar os muros
para libertar,
construir o futuro
conjugando o verbo amar.
É importante semear sorrisos
para enternecer
corações em perigo
deixando a paz florescer.

Ser bem-aventurado,
filhos tão amados,
vivendo a santidade
em todo e qualquer lugar.
Livres na simplicidade,
únicos na diversidade,
fagulhas que se integram 
pra iluminar.

Santidade é exercício
do dia-a-dia,
experiência da alegria
que não vai embora 
com as tempestades.
Santidade é viver
as bem-aventuranças,
sempre regando a esperança
na confiança do Amor Maior.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Saudade

 



Saudade...
Saudade é uma dor
que aperta o peito,
mas não é nó,
é laço,
falta do abraço
de quem partiu.
É sentir-se só
depois de encontros...

Saudade é percepção
de que, mesmo sendo inteiros,
somos faltantes
e que uma parte importante
de nós
é composta pelo outro
que nos constitui
e constrói.

Saudade
é o que não se explica
nem se traduz;
é amor que fica
depois que se vai embora;
é experiência de luz
mesmo quando o tempo
escurece;
é lembrança
que nunca se esquece.

Saudade é amor
que teima em existir
na ausência
e transcende distâncias
e silêncios.

sábado, 17 de setembro de 2022

Passarinho

 





Livre, passarinho,
voa, sai do ninho,
enche de coragem o peito,
descobre o jeito mais bonito
de alcançar o infinito.

Voa, passarinho,
livre, abre as asas a plainar,
deixa seu corpo dançar,
sem medo das ventanias.

Faz valer a cantoria,
a liberdade,
a possibilidade
de criar o traçado
do voo que quer voar.

Voa, passarinho, canta
e pousa se preciso for.
Encontra um canto,
descansa na sombra,
pertinho de uma flor.

Livre, passarinho,
fica onde quiser ficar,
no ninho, no ar, em qualquer lugar,
Deixa pulsar seu desejo,
na cantoria de quem dança
e voando parece brincar!

Renata Villela em setembro/2022

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Sobrevivente ferida

 

                           

Hoje, dia 7 de setembro, o Brasil celebra 200 anos de sua independência... Algumas memórias saltam de minha mente como memórias de um dia bonito... Hoje, não consegui sentir outra coisa que não tristeza. Queria sentir esperança, coragem, vontade de lutar por um Brasil melhor... Normalmente, sinto isso em meu coração, não me considero uma pessoa derrotista, mas, hoje, especialmente, o que senti foi tristeza.

 Saí para caminhar e, no caminho de ida, fiquei positivamente surpresa ao ver pessoas de diferentes partidos panfletando na praça, chamando um e outro aqui e ali para falar de seus candidatos. Pensei comigo mesma: isso é democracia! A convivência entre partidos diferentes, cada um respeitando o espaço do outro, um exemplo de civilidade. Segui minha caminhada e parei num lugar onde gosto de tomar um cafezinho com pão de queijo, na calçada, observando o movimento. De repente, a harmonia se quebrou quando um “bando de canarinhos” voltava da praia. Muito bem vestidos, “honrando” a camisa verde e amarela, alguns conversando entre si, outros cortando caminho para não “cruzarem” com opositores e outros entoando gritos de guerra, maldizendo o candidato da oposição. Naquele momento foi que senti meu coração se encher de tristeza.

 Eu queria ter sentido indignação por causa do comportamento deles, até indiferença, mas senti tristeza. Terminei meu café e vim andando de volta pra casa, eu e meus pensamentos. Não consegui afastar a dor da lembrança dos 600.000 mortos na pandemia, entre os quais está meu pai, tio Gerson, D. Nelma, Paulo e tantos outros que não conheci, mas sei que suas famílias comungam a mesma dor que eu. É uma dor que poderia ser só de luto, mas ela traz colada em si, as falas insensíveis e desumanas do atual presidente, pelo qual essas pessoas gritam apaixonadamente, com o coração transbordando de ódio por quem tem outra forma de pensar e governar. Cada camisa amarela, segurando a bandeira do Brasil, me trazia junto a tristeza pela forma com que a nossa bandeira foi tragada por uma ideologia que antagoniza tudo o que o Barsil sempre significou: um país pacífico, alegre, com o meio ambiente rico, enfim...

 Sou a favor da democracia, por isso, respeito as diferentes escolhas, porque entendo que isso seja a essência do estado democrático. O que, infelizmente, não consigo entender é a escolha por uma “pessoa” que dissemina o ódio, a divisão, a violência... Por coerência com a forma com que vejo a vida, com a religião que escolhi, com os valores que pautam minha caminhada, eu JAMAIS votaria nem votarei numa pessoa que fala e prega exatamente o oposto de tudo o que acredito. Eu acredito no bem, no respeito às diferenças, na diversidade humana, na igualdade de direitos de homens, mulheres, homoafetivos, trans e todas as suas denominações. Eu acredito que a ciência, a educação e a cultura são o que tornam um povo capaz de pensar, realizar e ter uma vida digna. Eu acredito que o Planeta Terra é nossa casa e precisa ser cuidado, não destruído. Eu acredito que a população mais pobre de nosso país tem direito a mais do que o mínimo necessário à sobrevivência, tem direito à dignidade. Eu sou contra as armas, sou contra a misogenia, a xenofobia, a violência em todas as suas formas. Sou contra o mau uso do dinheiro público também (motivo pelo qual ele ataca os opositores, ganhando aliados por isso), sobretudo quando esse mau uso é recheado de mentiras e manobras que desviam a atenção das enxurradas de dinheiro que seguem escorrendo para bolsos conhecidos. Nesse caso, entra minha indignação quanto à cegueira coletiva, que teima em não ver o que está acontecendo...

 Não escrevo para convencer ninguém, não escrevo para fazer “campanha” para o candidato que terá meu voto. Até poderia, mas não tenho vontade de fazê-lo... Escrevo só para desabafar a dor que tomou conta de meu coração, viajando em pensamento pelo retrocesso que vivemos ao longo dos últimos anos, pelas tantas mortes e lutos sufocados pelo sarcasmo de quem poderia ter agido diferente. Sinto tristeza por ser artista e ver o mal que tentou sufocar as diversas expressões de arte em nosso país, por ser psicóloga e presenciar o adoecimento coletivo de tantos brasileiros. Nesses dias conversando com minha prima, comentávamos que somos “sobreviventes feridas”. É assim que me sinto.

 Sim, feridas cicatrizam, deixam marcas, mas cicatrizam. Dores passam e, mais do que passam, fortalecem-nos, a partir da nova consciência que criamos acerca de nós mesmos e da vida.  O dia 7 de setembro está anoitecendo... Minha tristeza dormirá e eu acordarei mais forte, mais consciente, fazendo dessa tristeza, inquietação. O dia 7 de setembro está anoitecendo... Permitiremos que nosso país amanheça?

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Os dois lados

 


 

  


De um lado, afagos, afetos,

família, amizade.

Do outro, reencontros, descobertas,

surpresas e liberdade.

 

De um lado, a independência,

a busca da essência,

a carência, a solidão abraçada,

a consciência do eu.

Do outro, a liga da convivência,

o apego, a dependência,

os laços criados, os abraços

e os passos dados com medo,

na cidade ao léu.

 

Realidades paralelas

que se encontram em mim,

desfazendo lógicas,

escrevendo crônicas e poesias.

 

Lá vou eu,

refazendo a história,

juntando desejo e memória,

passado e futuro,

nesse presente nâo escolhido,

mas acolhido com medo e coragem.

 

Assim é o vai e vem de cada dia,

às vezes, tristeza, às vezes alegria...

O que me inspira e move

é juntar as pontas, em bordado,

sabendo que, de um lado,

há vida que pulsa

e do outro (acredite!) também.


Renata Villela (julho/2022)