Dezembro chega de um jeito diferente... Menos colorido, menos vibrante... Parece vir coberto de uma nuvem de saudades e medos, de incompreensões e lutos. Chegamos a ele com sede de esperança, de alegria e paz!
Contemplar essa cena nos permite algumas reflexões. Jesus nasceu “migrante”, como tantos para os quais a nossa sociedade olha com discriminação. Jesus nasceu na periferia, em meio aos excluídos... E onde nós O procuramos? A estrela-guia aponta o caminho, mas estamos com os olhos fixos nas telas dos smartphones, incapazes de olhar para o Alto (ou para os lados)... Assim temos vivido por anos e anos. Focados em nós mesmos, passando superficialmente pelos fatos e pelas pessoas que nos cercam. O ano de 2020, com tudo o que nos obrigou a viver, lança-nos perguntas avassaladoras: o que temos feito de nossas vidas? O que temos feito de nossas relações? O que temos feito de cada novo dia em que despertamos e nos damos conta de que estamos vivos?
Diante da cena da manjedoura e desses questionamentos, vamos fixar nossos olhos no Menino Jesus? Tão frágil... Tão criança... Deus que chega até nós no meio das palhas de um estábulo. Simples, humilde, sem nada em seu entorno e, em outra perspectiva, com tudo o que é necessário: o amor!
Sim, é tempo de Natal! Um Natal que nos convida a
reconhecer o presente como um tesouro precioso! Não aquele comprado, mas o que
recebemos gratuitamente, depois do ontem e antes do amanhã. A experiência do
hoje é o que precisamos degustar. Com a saudade dos abraços apertados e dos
encontros com a família, somos chamados a cultivar o intangível! Somos
convidados a ser “amigos declarados”, a estar presentes na vida de quem amamos,
mesmo com as mãos vazias e de forma virtual. Somos chamados a despertar
sorrisos, mesmo que não os vejamos por causa das máscaras, a encontrar olhares
e mergulhar no mais profundo de cada alma. Na experiência do hoje, somos chamados
a nos conectar com as famílias que estão com pessoas nos hospitais, nas ruas ou
em suas casas, com as mesas vazias. Somos “empurrados” a nos reconhecer
vulneráveis, pequenos , frágeis e compreender que quando tudo nos falta, há
somente uma força: o AMOR!




