terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Benditos sejam os artistas...

 



 Tenho escutado, nos últimos dias, muitas críticas aos artistas que fizeram lives no carnaval, como se isso fosse um desrespeito à situação que a população mundial está vivendo.... Tenho escutado, ao longo dos meses de quarentena, muita gente desmerecendo os artistas, como se fossem pessoas que não trabalham e só querem boa vida! Esses comentários me incomodam muito!

 Tenho amigos e conhecidos que são artistas e como os admiro!!! Aliás, admiro todos os artistas, conhecidos ou não: aqueles que suam sangue para sobreviver da arte e aqueles que, infelizmente, tiveram que abrir mão da sua arte para ter seu “pão de cada dia”. Felizes daqueles que tinham suas economias e estão conseguindo passar por essa turbulência sem tantos problemas. Independente de ser a arte também uma profissão, ela é – essencialmente – uma missão de vida! Assim, por todos os artistas – profissionais ou não - escrevo agora! Escrevo por todos os que tiveram sua voz calada, seu sustento cancelado, por todos os que tiveram que se reinventar e se desdobrar para manter acesa a chama da arte que, não só os mantêm, mas NOS mantêm vivos !!!

 Olhando de forma mais abrangente, pela primeira vez, ao longo dos tempos, temos visto o reconhecimento dos profissionais de saúde. Nossos heróis !!! E são !!!! Como são!!! Algumas vezes temos escutado, também, elogios aos professores, sobre o desafio de mudar a forma de ensinar “no tranco”... Nossos heróis!!! E são!!! (Apesar de que eu acho que ainda falta muito para que eles sejam reconhecidos como merecem....) Sei que muitos vão me criticar pelo que vou escrever agora, mas dos artistas, pouco se fala bem! Sim, é isso mesmo! Estou comparando a importância de médicos e professores com a dos artistas! Cada um na sua esfera de importância para a vida. Os profissionais de saúde curam corpo e mente! Usam seu conhecimento e dedicação para manter nossa máquina funcionando da melhor forma... Muitas vezes dando sua própria vida! Professores resgatam o brilho das mentes e desenvolvem os potenciais escondidos em cada ser! Contribuem intensamente para que sejamos PESSOAS e não somente seres vivos. E os artistas? Os artistas tratam e curam a alma a partir do “belo”!!! Sim! Os artistas têm uma conexão com o transcendente, com o que nos une ao Universo e nos conecta a algo maior, dentro e fora de nós: nossas emoções, nossas reações, nossas reflexões. Alimentam sonhos, semeiam a criatividade, cultivam o belo, renovam as energias.

 Como a arte está sendo importante nesses tempos de pandemia! Todas as artes: o teatro, a dança, a gastronomia, a música, as artes visuais, a literatura, o artesanato... Seja através de postagens no instagran, de vídeos no youtube, das páginas de livros, das cadeiras na varanda, da conversa pelo celular.... O exercício da arte – sejamos nós  protagonistas ou expectadores - têm nos mantido vivos! O que seria desses dias de isolamento (para uns mais, para outros menos) se não fosse a arte! O que seria de nós se não fosse aquele livro, amigo de cabeceira, ou aquela live que aquece nosso coração com boa música? O que seria de nós se não fossem os vídeos de youtube ou o caderno de receitas que nos permitiram redescobrir que cozinhar é também prazer? O que seria de nós se não fossem os posts de artistas recitando poesias e criando esquetes para levantar nosso astral? Ou do olhar diferenciado que nos fez aprender a fotografar e admirar fotografias das coisas simples do cotidiano? O que seria de nós sem os filmes, as séries, as novelas? Tem gosto pra tudo e tudo o que nos tira, momentaneamente, da dor de nossa realidade trazendo novas percepções e inspirações está valendo.

 Curtir uma boa live, dançar em casa, cantar no banheiro, nada disso é alienação! Precisamos de pílulas do belo, da arte, de alegria, de ficção para nos manter vivos, sim! Isso não significa que estamos de olhos fechados para a realidade triste que estamos vivendo...Isso não significa falta de visão crítica para os absurdos que vemos e ouvimos...Isso não significa falta de empatia nem de solidariedade com todos os que estão sofrendo e morrendo nos hospitais superlotados. Isso significa que precisamos de ar para respirar, não só de O² mas do ar das coisas que nos relembram que há vida além da dor, que somos seres criativos por excelência e que, por isso mesmo, temos a capacidade de criar novos caminhos a partir de nossas experiências.

 Voltando agora especificamente para o carnaval, não podemos confundir o trabalho dos artistas (nesse momento, fazendo lives) com a irresponsabilidade de quem vai às ruas se aglomerar, sem máscaras, em super festas... O comportamento das pessoas não é responsabilidade do artista. Particularmente, também não compreendo o que leva pessoas a fazerem festas, sem os devidos cuidados, sabendo dos riscos que isso implica para as pessoas à sua volta... Aliás, faço aqui um parênteses: a pandemia está nos dando inúmeras oportunidades de entendermos que somos todos responsáveis pela vida de todos. Pena que tantos estejam deixando essa oportunidade passar ao largo, mantendo o foco da vida em seus umbigos, exclusivamente em seus prazeres pessoais...

 Retomando, agora, o cenário geral, a missão dos artistas, ratifico que esse texto é meu reconhecimento e agradecimento a todos, pela capacidade de resistir às dificuldades impostas, pela coragem de se expor e de se reinventar. Agradeço e reverencio por não desistirem de seus sonhos e nos ajudarem a sonhar também, por – ainda que muitas vezes gratuitamente – manterem a missão de levar arte às pessoas. Levanto-me e os aplaudo de pé, sobretudo, por compreenderem seu papel nesse tempo sombrio e por persistirem na sua lida, lembrando-nos que há vida para além de tantas mortes, que há risos para além de tantas lágrimas e há janelas abertas ao sol apesar de tantas portas fechadas!

sábado, 19 de dezembro de 2020

Mensagem de Natal

 Dezembro chega de um jeito diferente... Menos colorido, menos vibrante... Parece vir coberto de uma nuvem de saudades e medos, de incompreensões e lutos. Chegamos a ele com sede de esperança, de alegria e paz!

 Impossível pensar dezembro sem associá-lo ao Natal e ao Ano Novo. O isolamento social impede as festas! Vivemos diante do inesperado. Talvez, a primeira sensação seja de que perdemos o caminho para a fonte que nos reabastece. Depois, aos poucos, bem lentamente, vamos compreendendo que há algo escondido nesses acontecimentos, que nos chama a novas descobertas, a novos aprendizados, a novas formas de ser e viver. Há um vazio que precisa ser preenchido! E se deixarmos, será! Estamos diante de uma bela oportunidade de re-significar “os encontros” e o verdadeiro sentido desse tempo.

 Vale lembrar que há mais de dois milênios, os moradores de Belém negaram hospedagem a um casal de migrantes, pobres, peregrinos, possivelmente sujos pela poeira da estrada. Ela, grávida, prestes a dar a luz, encontra um único lugar para descansar e acolher a chegada de sua criança: um estábulo! No meio das pessoas, não houve lugar para o Menino nascer. Foi no meio dos animais que o Pequenino veio ao mundo... Na periferia! Na periferia de Belém, Maria e José receberam o Menino Jesus. Os primeiros a encontrá-los foram os pastores... Justamente os pastores, povo excluído da época. Assim, Maria, José, o Menino Jesus, os pastores e os animais nos trazem, nessa cena, o recado que Deus quis (e quer) nos dar. Compreendemos?                                                                                                                                                                                                        

Contemplar essa cena nos permite algumas reflexões. Jesus nasceu “migrante”, como tantos para os quais a nossa sociedade olha com discriminação. Jesus nasceu na periferia, em meio aos excluídos... E onde nós O procuramos? A estrela-guia aponta o caminho, mas estamos com os olhos fixos nas telas dos smartphones, incapazes de olhar para o Alto (ou para os lados)... Assim temos vivido por anos e anos. Focados em nós mesmos, passando superficialmente pelos fatos e pelas pessoas que nos cercam. O ano de 2020, com tudo o que nos obrigou a viver, lança-nos perguntas avassaladoras: o que temos feito de nossas vidas?  O que temos feito de nossas relações? O que temos feito de cada novo dia em que despertamos e nos damos conta de que estamos vivos?

Diante da cena da manjedoura e desses questionamentos, vamos fixar nossos olhos no Menino Jesus? Tão frágil... Tão criança... Deus que chega até nós no meio das palhas de um estábulo. Simples, humilde, sem nada em seu entorno e, em outra perspectiva, com tudo o que é necessário: o amor!

Sim, é tempo de Natal! Um Natal que nos convida a reconhecer o presente como um tesouro precioso! Não aquele comprado, mas o que recebemos gratuitamente, depois do ontem e antes do amanhã. A experiência do hoje é o que precisamos degustar. Com a saudade dos abraços apertados e dos encontros com a família, somos chamados a cultivar o intangível! Somos convidados a ser “amigos declarados”, a estar presentes na vida de quem amamos, mesmo com as mãos vazias e de forma virtual. Somos chamados a despertar sorrisos, mesmo que não os vejamos por causa das máscaras, a encontrar olhares e mergulhar no mais profundo de cada alma. Na experiência do hoje, somos chamados a nos conectar com as famílias que estão com pessoas nos hospitais, nas ruas ou em suas casas, com as mesas vazias. Somos “empurrados” a nos reconhecer vulneráveis, pequenos , frágeis e compreender que quando tudo nos falta, há somente uma força: o AMOR!

 Que o Menino Jesus, junto com Maria e José, nos inspire a resgatar a essência das coisas que são realmente importantes! Que tudo o que estamos vivendo ao longo desse ano nos movimente a ser pessoas melhores! Que, na noite de Natal, estando fisicamente juntos ou separados das pessoas que amamos, lembremos que o AMOR transcende qualquer barreira e, assim, sintamos nossos corações se abraçarem, formando uma corrente sem começo nem fim. Que sejamos gratos por nossa vida e pela vida dos que amamos! Que sejamos gratos, inclusive, pelo inesperado que chegou a nós, com certeza, trazendo aprendizados! Que alimentemos a esperança e fortaleçamos nossa coragem para lutar pelo que acreditamos! Acima de tudo, que nunca, sob nenhuma hipótese, deixemos passar a oportunidade de amar e de cuidar de quem Deus colocou em nosso caminho!

 Que o Natal seja de paz e que sejamos manjedouras de esperança e de amor ao longo dos dias de 2021!

                                                    Renata Villela  

sábado, 21 de novembro de 2020

Cristo Rei




Jesus é nosso rei,
rei dos excluídos, dos marginalizados,
rei dos oprimidos, dos hospitalizados,
rei dos que não têm para onde ir.

Jesus é nosso rei,
rei dos trabalhadores e dos desempregados,
dos migrantes e dos desabrigados,
rei de quem esqueceu como sorrir.

Jesus é nosso rei,
rei dos idosos, dos jovens e das crianças,
dos que, mesmo no escuro, cultivam a esperança,
rei de quem chora, mas teima em cantar.

Jesus é nosso rei,
rei dos esquecidos e dos desanimados,
dos heróis sem capa e dos refugiados,
rei dos que persistem em lutar.

Jesus é rei de todos, sem distinção,
para além de qualquer fronteira,
rei que desmonta barreiras,
sem armas, sem munição.

Jesus é rei da solidariedade,
do respeito às diferenças,
da igualdade de direitos,
rei da vida, 
constituída na diversidade.

Jesus é nosso rei,
pequeninos que somos,
frágeis e vulneráveis que somos,
é NELE que pomos
as sementes da esperança
de que a noite vai amanhecer.
É NELE que descansamos
para ver novo dia nascer.
Renovados, é NELE que pomos
a confiança de que tudo será melhor.
Sim, será ! 
Pois Jesus é o rei que tece a vida
com sua harmonia
e instiga nosso ânimo para que nossa cantoria
termine sempre em tom maior.

                                        Renata Villela

domingo, 10 de maio de 2020

Conversando com Maria



Maria, Minha Mãe, Mãe de todas as mães,

antes de mais nada, quero dizer que vou substituir o “senhora” por você... Estamos tão carentes de intimidade..... Quem lhe escreve é o nosso coração!

O que mais desejamos – e precisamos – é sentir sua presença maternal para nos explicar – com carinho – o que não estamos conseguindo entender...  E para nos consolar em nossos medos e apreensões. Você é nossa maior referência de presença serena e, ao mesmo tempo, firme! Acolhendo a dor, sem fingir que ela não existe, você cultiva a FORTALEZA que brota – feito flor no meio de ervas daninhas – nos corações dos que creem e confiam no Deus que não abandona!

Sua fé nos encanta, Maria, e queremos ser contagiadas por ela! Queremos aprender e reaprender diariamente a ENTREGAR – sem segurar em nenhuma pontinha – nossas vidas e as de nossos filhos nas mãos do Pai. Seguindo seu exemplo, queremos dizer: “sim, que seja feita a vontade do meu Deus”, reconhecendo-nos pequenas e vulneráveis, mas infinitamente amadas e cuidadas por Ele.

Nesse dia das mães, não dá pra desejar que seja FELIZ, assim com todas as letras maiúsculas, mas desejemos que seja pleno de novos significados e aprendizados...

Abraço de mãe sempre teve sabor de porto seguro para os filhos...Abraço de filho sempre teve sabor de gratidão para as mães... Sorriso de mãe sempre significou “vai dar certo” para os filhos...Sorriso de filho sempre significou “tudo vale a pena” para as mães... Hoje, precisamos aprender a viver sem os abraços e com sorrisos virtuais... Não tem sido fácil! Por isso, Mãe, entregamos em seu coração, as nossas inquietações. Sabemos que você pode nos ajudar a transformá-las em movimento!

Entregamos também nossa tristeza e empatia por tantos filhos obrigados a se despedir precocemente de suas mães e por tantas mães que ruminam o corte precoce na convivência com seus filhos...  Entregamos ao seu Sagrado Coração, todas essas pessoas para que, através de seu amor, de alguma forma, a esperança e a alegria possam retornar a esses corações.

Mãe amada de todos nós, ensina-nos a ser discípulos e missionários nesse tempo tão inusitado. Mostra-nos o real significado da palavra ENCONTRO, alimenta nossa esperança e acolhe-nos como crianças assustadas, surpreendidas num jogo que nunca aprenderam a jogar.

Mãe amada de todas nós, intercede junto a seu Filho, por nossa paz e coragem, por nossa consciência e serenidade. Impulsiona-nos, Mãe, com a força da sua fé, a sermos protagonistas na construção de um mundo novo, de um tempo novo...  Se cairmos, ajuda-nos a levantar, a persistir acreditando que somos responsáveis por desenhar o caminho a caminhar! Se nos cansarmos, ajuda-nos a recuperar a energia, a continuar trabalhando para que todos os filhos assumam o papel de semeadores do bem. Se chorarmos, relembra-nos a alegria do amor que tudo supera e anima-nos a distribuir sorrisos para ensolarar a vida!

“Mãe, cuida de nós,
Ouve nossa voz
E ilumina nossos corações
Com sua luz”

                                                                                                             

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Tempo de parar




Tempo de parar,
reavaliar conceitos,
analisar possibilidades,
rever escolhas.

Tempo de parar,
dispensar preconceitos,
repensar prioridades,
descobrir novos sabores.

Tempo de aquietar,
sair da turbulência de fora,
valorizar o agora,
ajustar o ritmo da vida
às nossas pulsações.

Tempo de se recolher
e colher os frutos
do que foi semeado...
E semear os grãos
do que desejamos colher
nas próximas estações.

Tempo de criar
alternativas que tragam temperança,
espaços para cultivar esperança
e oportunidades de sorrir e brincar
para despertar em nós,
a criança que aponta para novas manhãs.

Tempo de integrar:
passado e futuro
na experiência profunda do presente;
medo e entusiasmo
na experiência da fé
que sustenta nossos passos
e nos mantém de pé.

Tempo de escutar o inaudível
e respirar a brisa suave
que vem do Espírito de Deus.
Tempo de abraçar o invisível
e acreditar que o impossível
não existe no dicionário de Deus.

domingo, 22 de dezembro de 2019

A festa do Natal




Em sua infinita sabedoria, Deus criou o tempo... E inspirou o ser humano a fatiá-lo em anos, meses, dias, horas... No entrelaçar do tempo, mesclam-se alegrias e tristezas, vida e morte, frustrações e esperança. Como artesãos da vida, quando a linha com que bordamos o tempo é o amor, assumimos responsabilidades diante do que nos cerca. Em paralelo, somos agraciados com o sabor da experiência de Deus em todas as coisas, de todas as formas, a todo momento.


Na tecelagem do tempo, experimentamos o milagre da renovação. Justamente no findar do ano, celebramos a vida que nasce! No apagar das luzes, celebramos o raiar da Luz, no entardecer do tempo, celebramos a chegada do Menino Jesus. Justamente quando o cansaço nos rouba as forças, quando o desânimo sufoca nossa energia, quando a soma dos acontecimentos ofusca nossa capacidade de criar e transformar, a lembrança da manjedoura e o SIM da família de Nazaré nos resgatam a essência da vida e relembram-nos “para quê” estamos aqui. É o Natal que tece o milagre da esperança renovada, do desejo de fazer diferente e de sermos pessoas melhores. Porque Deus confia em nós, há esperança! Há esperança porque, para além dos ventos contrários, do nosso egoísmo, das feridas abertas na humanidade, do descaso com os mais pobres, existe um Deus que nos ama e não se cansa de nos chamar para sermos agentes transformadores dessa realidade que se escancara a nossa frente diariamente.


Natal é a festa da esperança que se concretiza a partir de um sim; do amor que se realiza na vida de todos os que abraçam o Essencial porque olharam para o céu e se dispuseram a seguir a estrela. Natal é a festa da alegria que nasce do Encontro e é capaz de preencher nossos vazios e transcender as intempéries da vida. É a festa da simplicidade que pulsa nos corações-manjedouras - aqueles que resistem à sedução das compras e mergulham no encantamento da partilha. Sim, Natal é festa, festa do coração, festa para a qual todos somos convidados!


Precisamos tomar para nós a responsabilidade de fazer com que o Natal aconteça nos corações independente de data! Precisamos ser manjedouras vivas no nosso dia a dia para que a alegria, o amor e a esperança possam ser partilhados sempre e a essência do Natal se faça verdade em todos os corações.


Quando dizemos que Natal é a festa do Amor, precisamos lembrar que amor não é um sentimento que se resume a abraços apertados e mensagens de afeto... Amor é comportamento, é atitude, é ação. Movimento em direção ao outro. Construção conjunta. Se não nos comprometermos com o Amor, tudo o que falarmos ou vivermos nesse tempo será efêmero.


Quando dizemos que Natal é a festa da esperança, precisamos lembrar nosso papel de instrumentos da paz e anunciadores da Boa Nova. Quando nos calamos e nos omitimos, deixando que o barulho do cotidiano ecoe pelos quatro cantos; dificultamos o florescer da esperança. Quando, por outro lado, nos damos conta de que existe em nós uma força que não nasce de nós, ganhamos a sabedoria do jardineiro que sabe a exata dimensão do seu papel e segue se encantando com o milagre da vida.


O convite é esse: vamos sentir o Natal nos mover e parar de esperar que “o outro” comece a escrever uma nova história! Vamos transpor as fronteiras – visíveis e invisíveis –  e caminhar decididos para abraçar o Menino Jesus, acolhendo-O! Deixemo-nos levar pelos sonhos de Jesus e vamos, juntos, assumir o compromisso de realizá-los! Unindo nossas forças e nossas fragilidades, juntos, como povo de Deus, seremos capazes, sim, de fazer acontecer a verdadeira festa do Natal.


Imaginemos que o Natal começa no dia 25 de dezembro de um ano e termina no dia 24 de dezembro do ano seguinte, quando iniciamos mais um ciclo de aprendizados e renovamos o compromisso de uma atuação responsável diante da vida. A novidade é essa: o ano novo começa quando abrimos nosso coração e deixamos nascer o amor, a esperança e a alegria e nos comprometemos a natalizar a vida dos que encontramos pela estrada. Feliz Vida Nova no acolhimento ao Menino que nasce!

                                                                                               Renata Villela

domingo, 21 de abril de 2019

Ele ressuscitou por nós !





Ressuscitou! Jesus ressuscitou, venceu a cruz, fez-se maior que a morte, mostrou-nos que o que parecia o fim era, por essência, o verdadeiro começo.

Temos vivido um tempo quase que de luto diário. Temos visto nossa esperança perecer diante de tantos absurdos que se somam ao longo o tempo. Somos bombardeados por más notícias e contaminados pelas forças do mal, que nos levam a crer que o mundo não tem mais jeito e que as pessoas estão num caminho sem volta. Eis, pois, nesse tempo conturbado, a melhor de todas as notícias: o Amor ressuscitou!

Nesse tempo de Páscoa ecoa em meu coração, tudo o que Jesus falou, ensinou e viveu. Ecoa também o chamado para me transformar diariamente. Acredito muito que a nossa experiência diária da transformação permite-nos contribuir efetivamente para a vitória da Luz, da Paz e do Amor.

Viajo por tudo o que aprendi, do Sermão da Montanha - que me lembra onde mora nossa verdadeira felicidade e me ensina que para ser bendita é preciso diminuir - até o Pai Nosso, que me provoca a perdoar a todos (inclusive a mim mesma).

Nessa viagem relembro que não posso deixar meus talentos enterrados, que a “lógica” de Deus não é a minha, que Marta e Maria se complementam no exercício do discipulado e que o AMOR é o maior de todos os mandamentos.

Verdade.... Tantas são as tentações que nos rondam ao longo da caminhada!!! Que estejamos atentos: não queiramos a perfeição, porque Ele veio para os imperfeitos, mas jamais desistamos da busca pela santidade. Sabemos que santos não foram pessoas perfeitas, mas aquelas que sabiam seu ponto de partida e de chegada e encararam todas as pedras e quedas como parte do caminho, oportunidades de crescimento. Jesus ressuscitou para acolher nossa pequenez, perdoar nossos pecados e nos fazer entender que Seu Amor é maior que todos os nossos espinhos.

Do mergulho em todos os aprendizados e lembranças, a maior e melhor de todas, a que embala nossa fé: Jesus ressuscitou por amor a cada um de nós, sem exceção! Ele ressuscitou para nos recordar que a cruz faz parte da caminhada de todos os que assumem o SIM ao projeto de Deus. Não é fácil! Nunca será, mas, agora, - lembra? - vibra a certeza que nos impulsiona a não desistir: Ele ressuscitou! Ressuscitou para resgatar, em nossos corações, a convicção de que mesmo que a dor chegue, as feridas cicatrizarão porque a dor não tem fim em si mesma.

Jesus ressuscitou para nos inquietar, mostrando-nos que, muitas vezes, faz-se necessário deixar algo morrer em nossas vidas, desapegar do que é relativo para que ressuscite o Absoluto em nossos corações, ressuscite o Eu Novo que descobre a “graça” da vida nova a cada encontro.

Feliz Páscoa a todos e a cada um em especial, com a coragem de deixarmos pra trás o vício de fixar o olhar no chão, como lagartas que rastejam sem a verdadeira dimensão do horizonte! Feliz Páscoa, com a coragem de nos lançarmos ao voo da vida verdadeira, com todos os seus riscos e todas as flores por pousar... Feliz Páscoa com sabor de Infinito!

Que o Cristo ressuscitado nos inspire, nos fortaleça e abençoe nossos passos e nossos voos!!!

                                                          
Renata Villela