O fim do ano chega e, junto com o cansaço pela correria desenfreada do ano todo, vem a sensação de que tudo se repete. Novamente os shoppings enfeitados, novamente as pessoas se endividando para comprar presentes, novamente nossos corações se enchendo da esperança de que, no outro ano, as coisas venham a ser diferentes.
A mágica do sonho toma forma de fé e passamos mesmo a acreditar que as pessoas se respeitarão mutuamente, cuidarão da natureza como de suas próprias casas, conseguirão se colocar no lugar umas das outras e, assim, compreender mais, tolerar mais, confiar mais. A questão é que ter fé implica numa ação posterior, em serviço, em doação de dons, em amor. Não podemos acreditar que o amor vai se derramar de forma instantânea (como instantâneas são a maioria das coisas que a sociedade nos oferece hoje – instantâneas e automáticas!) porque amor é relação, é comportamento, é gesto concreto.
Amor, sentimento recheado de devaneios e florido de coisas abstratas deve ficar no encanto dos contos de fadas. Amor de verdade implica em cuidar, em respeitar as diferenças, em reconhecer a existência dos espinhos nas rosas que plantamos em nossos jardins, compreendendo os porquês e para quês deles (ou simplesmente aceitando-os) e, ao mesmo tempo, não permitindo que a existência deles sobrepuje o perfume e o colorido das pétalas.
Toda vez que olho um presépio fico encantada porque sinto o amor retratado na simplicidade daquela cena... Viajo na nossa incoerência: enquanto o Menino Deus nasce num estábulo, nós corremos pela contramão, colocando cada vez mais condições e senões para que as coisas aconteçam.
Olhando para o presépio, sinto saudades da simplicidade da vida, da possibilidade de conversar com um vizinho na porta de casa, da emoção por receber uma carta surpresa de um amigo distante, de andar a pé pelas ruas, sem destino, de dar gargalhadas de uma piada sem graça numa roda de amigos, de olhar as estrelas e ficar pensando em qual delas estará a rosa do Pequeno Príncipe...
Perdemos a ingenuidade, a singeleza das coisas simples do dia-a-dia. Perdemos a ternura, a experiência de comunhão, a atitude de presença contidas em valores como família e amizade. E encontramos o quê no lugar disso?
É...É, sim, mais um fim de ano que chega e, mais uma vez, eu me inspiro e me inquieto com o desejo de mudar, de ser uma pessoa melhor, de dizer SIM para as “coisas de Deus” com a mesma firmeza, determinação e confiança com que Maria respondeu ao anjo.
Mais uma vez eu entrego meu pacote de limitações, erros e espinhos nas mãos de Deus, pedindo que Ele seja sempre a minha força motriz e que me transforme em alguém melhor. Que eu seja capaz de trabalhar, em cada gesto do meu dia-a-dia, por um mundo onde justiça, dignidade e paz não sejam utopias esquecidas nas folhas de um dicionário.Finalmente, mais uma vez, mas a cada vez de uma forma mais intensa, eu desejo que o Menino Jesus nasça no coração de cada um de nós, transformando sofrimentos em consolo, turbulências em tranquilidade, desalentos em esperança e esperanças em certezas.
Assim, e somente assim, com Ele vivo dentro de nós, seremos capazes de ser, efetivamente, instrumentos de paz. E refletiremos, genuinamente, o amor que se consolida na verdade de nossas intenções e na gratuidade de nossas ações.
Blog de Renata Villela: meu posicionamento em relação à vida, ao mundo,às pessoas. Textos, poesias, mensagens, fotos, comentários, reflexões, dicas e orações sobre temas diversos.
sábado, 19 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Mudança de Estação
O tempo fechou,
o céu que era azul nublou
e a luminosidade caiu.
A vida ganhou um tom acinzentado,
neblina, falta de visibilidade...
Na estrada, somente a possibilidade de enxergar
o palmo seguinte
mais nada !
No coração, apenas a certeza do presente
mais nada !
Esperança e confiança
teimando em ganhar o espaço ocupado pelo medo.
E o dedo de Deus a indicar um rumo
onde há brilho,
um trilho
que leva a um lugar de paz.
Trilho que vai e volta,
que chega e sai,
e entre curvas diversas
chega em travessas escondidas,
esquecidas dentro de mim.
Choveu ! Chove forte...
A brisa rapidamente se fez ventania,
desabamentos,alagamentos,
tempestade levando embora
sonhos de um amanhã
abafados em um agora sem chão.
Sem chão !
Emoções misturadas,
sensações indecifráveis,
desejos confundidos entre vontades não compreendidas,
experimentadas na ânsia de soluções,
na dor das indefinições,
na mistura de sentimentos sem nomes,
que ora me levam pra fora
e despertam em mim a necessidade de asas
que me permitam alçar vôo sem bússolas;
mas ora me acasulam num fio que me fecha
e me guarda
num tempo que está além do cronômetro
e das surpresas de cada dia.
Cada dia...
Cada dia com suas surpresas e suas emoções,
cada dia com seus abraços e seus tropeços,
cada dia com a magia que une corações
num laço que irmana
e emana o amor de Deus,
cada dia com a alegria de um amor
que traz novos significados sempre,
sempre !
Sol de primavera e chuva de verão,
luz e escuridão
e a bela certeza de que a vida
se compõe com a soma de cada estação.
Que venha a chuva...
Toda chuva passa
e só a chuva renova a vida,
por mais que haja destruição;
só a chuva garante a vida
das sementes que dormem ao chão.
o céu que era azul nublou
e a luminosidade caiu.
A vida ganhou um tom acinzentado,
neblina, falta de visibilidade...
Na estrada, somente a possibilidade de enxergar
o palmo seguinte
mais nada !
No coração, apenas a certeza do presente
mais nada !
Esperança e confiança
teimando em ganhar o espaço ocupado pelo medo.
E o dedo de Deus a indicar um rumo
onde há brilho,
um trilho
que leva a um lugar de paz.
Trilho que vai e volta,
que chega e sai,
e entre curvas diversas
chega em travessas escondidas,
esquecidas dentro de mim.
Choveu ! Chove forte...
A brisa rapidamente se fez ventania,
desabamentos,alagamentos,
tempestade levando embora
sonhos de um amanhã
abafados em um agora sem chão.
Sem chão !
Emoções misturadas,
sensações indecifráveis,
desejos confundidos entre vontades não compreendidas,
experimentadas na ânsia de soluções,
na dor das indefinições,
na mistura de sentimentos sem nomes,
que ora me levam pra fora
e despertam em mim a necessidade de asas
que me permitam alçar vôo sem bússolas;
mas ora me acasulam num fio que me fecha
e me guarda
num tempo que está além do cronômetro
e das surpresas de cada dia.
Cada dia...
Cada dia com suas surpresas e suas emoções,
cada dia com seus abraços e seus tropeços,
cada dia com a magia que une corações
num laço que irmana
e emana o amor de Deus,
cada dia com a alegria de um amor
que traz novos significados sempre,
sempre !
Sol de primavera e chuva de verão,
luz e escuridão
e a bela certeza de que a vida
se compõe com a soma de cada estação.
Que venha a chuva...
Toda chuva passa
e só a chuva renova a vida,
por mais que haja destruição;
só a chuva garante a vida
das sementes que dormem ao chão.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Santa Teresa de Ávila
Santa Madre, Madre Santa
Santa Madre da beleza de uma fé incandescente,
Tereza da entrega, da humildade e da superação,
da força que vence o corpo doente,
da energia que vibra em sua entrega incondicional.
Certeza do bem que vence o mal,
presença forte e frágil, sem contradição...
Tereza: testemunho de vida vivida em oração.
Santa Madre do perfume que se exala por todos os cantos,
seu encanto se esconde no que está além de nós,
sua voz, sua força, sua determinação.
Tereza que exercita a obediência na adversidade,
que cultiva a paciência nas horas de tribulação,
Tereza que se supera no sofrimento,
que encontra alento no Colo de Jesus,
Tereza que encara sua cruz com a grandeza
de quem sente a dimensão da luz
que transcende a dor !
Santa Madre da resignação e da tolerância,
Tereza da fragrância do paraíso,
de um sorriso que nasce da alma que se despoja de tudo o que é superficial.
Resplandece com o brilho de quem, em tudo que toca, transforma
pela grandeza de sua força espiritual.
Santa Tereza D’Ávila, santa beleza mágica,
Santa Madre do puro amor.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Reflexão sobre a Oração de São Francisco
Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz
... em todos os lugares, em todos os momentos, no tumulto, nos desencontros, na correria do cotidiano, assim como na simplicidade de cada encontro com amigos, com a família e na intimidade de nosso próprio “eu”.
Onde houver ódio que eu leve o amor
... o amor que é generoso, que não pede recompensas, que é palavra e atitude, presença que transforma, vida que reconstroi a vida a cada instante.
Onde houver ofensa que eu leve o perdão
... perdão que exige despojamento e humildade, coragem e entrega, revisão de vida, reconciliação.
Onde houver discórdia que eu leve a união
... a consciência de que nossas diferenças nos fazem crescer, que a diversidade de talentos, de opções, de opiniões não devem desagregar nossa grande família mas sim, pelo contrário, devem nos fazer perceber o quanto temos a aprender uns com os outros.
Onde houver dúvida que eu leve a fé
... a certeza de que “depois da noite, vem o amanhecer”, a confiança de que o comandante do barco é nosso Pai, Pai que é amor e que, justamente por isso, jamais no abandona.
Onde houver erro que eu leve a verdade
... mesmo sabendo que errar faz parte de nossa lição diária, que cair faz parte de nossa caminhada, é preciso sempre apontar para a verdade, buscá-la e testemunhá-la.
Onde houver desespero que eu leve a esperança
... resgatar a criança adormecida em nossos corações, a criança que levanta pra correr e sorri (mesmo depois de chorar!) após cada queda; a criança que acredita nos seus sonhos e, mais ainda, no poder de torná-los realidade.
... abandonar-se no amor desse Pai que nos acaricia a cada alegria e nos carrega no colo a cada dor.
Onde houver tristeza que eu leve a alegria
... aquela alegria que transforma nossa face, recarrega nossas energias, que se muiltiplica e nos mostra a possibilidade de trocarmos as lentes com que vemos o mundo.
Onde houver trevas que eu leve a luz
... sendo sol em dias de chuva, sendo estrela nas noites escuras, sendo, ainda que apenas a chama de um fósforo, uma fagulha de luz a iluminar os cantos escuros de cada coração.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
... que vençamos o desafio de deixar de olhar para nossos próprios umbigos, que saiamos da posição de quem espera para a de quem caminha, que descubramos que o bem que fazemos aos outros nos revigora, nos alimenta, nos proporciona a experiência mais plena de nos sentirmos os filhos muito amados de Deus.
E é morrendo que se vive para a vida eterna
... aprender que a nossa cruz é caminho de salvação. Lembrar sempre, a todo instante, a cada dificuldade, a cada noite nossa de cada dia, que a lagarta precisa do escuro do casulo... e precisa morrer para se tornar, então, borboleta.... conhecer o colorido e o perfume de cada flor e a liberdade de abrir as asas e ganhar o céu.
Amém !
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Maria das Dores
Quais são as dores de tantas Marias ?
Quem são as Marias de tantas dores ?
A dor do parto e da partida, a dor do medo e da aflição, a dor do susto e da incerteza, a dor de surpresas e de angústias, a dor da vida de cada dia, a dor dos dias de cada vida.
Maria da dor do filho com fome...que chora por um copo de leite ou um pedaço de pão. Maria desempregada que não tem como trazer o sustento e sofre no desalento da impossibilidade de saciar a fome daquele que gerou.
Maria da dor do filho perdido... largado na rua em meio às más companhias, sabe-se lá se perdido nas drogas, nas pontes, nas ondas das ofertas que a rua expõe e nada propõe a favor da vida... Maria incansável nos conselhos e nas orações, vencendo as preocupações na eterna e intensa tentativa de pastorear sua ovelha de volta ao rumo da luz.
Maria do filho desempregado, assustado com a agressiva competitividade, em que mais vale quem mais pode, onde mais pode quem mais tem... Maria que insiste na importância do conhecimento, da ética e da dignidade e ensina diariamente seu guerreiro a não desistir das batalhas ( por mais duras que sejam) e a acreditar em cada vitória,( por menor que pareçam aos olhos dos homens comuns).
Maria do filho agoniado de saudade e carente de um abraço apertado ou do colo macio que só mãe pode dar... Maria presa no engarrafamento ou atropelada nas exigências de sua profissão, Maria que briga com o relógio, tenta driblar afazeres, ganhando cada segundo a seu favor, conciliando compromissos e responsabilidades, desafiando-se a superar as adversidades que a mulher do século XXI encontra em cada esquina dessa louca realidade.
Maria do filho que vai para o deserto...tantos são os desertos de nosso tempo....Maria do filho que vence as tentações...tantas são as tentações de nosso tempo !
Maria do filho traído e negado por amigos, Maria do filho que cai e sangra a dor de cada queda, de cada espinho, de cada desafeto.
Maria do filho maltratado, indefeso e injustiçado,.... Maria do filho pregado na cruz.... tantas são as cruzes de nosso tempo ! Com certeza, entretanto, nenhuma delas mais pesada que a de Jesus.
Maria de Nazaré....mãe das Marias de nosso tempo, de tantas cruzes, de tantos medos, de tantas dores...
Maria das Dores , Maria da Fé, Maria do Amor que tudo suporta, tudo transforma e tudo transcende.
Maria que ensina e aprende a aceitar, a assumir a dor, a transformar a dor em caminho de lapidação.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Conviver
Grupos,tribos,guetos,
multidão
gente, raças, muros,
solidão.
Grupos, gente, times,
comunhão,
pontes, laços, vidas,
celebração.
Tantas diferenças, crenças,
tanto a discordar,
tantas coincidências,
tanto a criar.
Elos, pontes, laços,
fios a bordar.
Risos, sonhos, abraços,
traços a formar.
Tantos sofrimentos, lamentos,
vivências de dor,
paz de acolhimento
a trazer novo sabor.
Em cada caminho, ninhos
a juntar calor
sempre há espinhos
mesmo quando há flor.
Lutas desarmadas, caladas,
entre cada ser
lanças disparadas
pra sobreviver.
Brotos de esperança, confiança,
vontade de viver,
novas alianças
fazer acontecer.
Sonhos, planos, risos,
tempo de paz.
Partos, portos, pontes,
povos em paz.
Sonho de Paz
Sonho de paz
que embala nossa ânsia de felicidade
no desejo de viver, no centro da cidade,
a alegria dos encontros que alimentam a alma
e dão um colorido novo ao desafio de existir.
Sonho que nasce brotando no peito
buscando um jeito de ser mais feliz.
Sonho que brota nascendo na alma
a calma que ensina a ser sempre aprendiz.
Sonho de paz que incomoda e inquieta
é movimento de transformação.
Sonho que não se vende, que não se compra,
que não se ensina nem manipula.
Sonho que nasce livre e liberta,
sonho que desaperta o nó da angústia
e da desilusão.
Sonho que vibra sorrindo,
pulsando em cada coração.
Sonho que embala nossa ânsia de felicidade
no desejo de encontrar, no centro da cidade,
sonhadores conscientes trabalhando pela paz.
que embala nossa ânsia de felicidade
no desejo de viver, no centro da cidade,
a alegria dos encontros que alimentam a alma
e dão um colorido novo ao desafio de existir.
Sonho que nasce brotando no peito
buscando um jeito de ser mais feliz.
Sonho que brota nascendo na alma
a calma que ensina a ser sempre aprendiz.
Sonho de paz que incomoda e inquieta
é movimento de transformação.
Sonho que não se vende, que não se compra,
que não se ensina nem manipula.
Sonho que nasce livre e liberta,
sonho que desaperta o nó da angústia
e da desilusão.
Sonho que vibra sorrindo,
pulsando em cada coração.
Sonho que embala nossa ânsia de felicidade
no desejo de encontrar, no centro da cidade,
sonhadores conscientes trabalhando pela paz.
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