terça-feira, 8 de julho de 2014

Eu sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor...



Desde que a Copa do Mundo começou, eu queria escrever.... Algum bichinho aqui dentro, entretanto, me dizia para esperar...Chegou a hora!
São várias reflexões, alguns questionamentos, certezas que nasceram, dúvidas que surgiram...E o desejo de partilhar com vocês o que ficou. Hoje, no trabalho, eu falei para alguns líderes que “o mundo da retórica deu lugar ao mundo da síntese”, mas peço desculpas a todos, pois aqui o que vou usar é a retórica. Fica o desafio de ler até o fim....rs.....
Antes de qualquer coisa, quero dizer com toda verdade de meu coração que o que estou escrevendo é o que penso e sinto. Respeito outras opiniões e outras percepções. Sei que muitas vezes falo e escrevo com uma entonação que pode parecer que sou a dona da verdade, mas falo o que acredito, o que é verdade PARA MIM. Não acredito na verdade absoluta, por isso acho muito legal esse espaço de liberdade onde cada um pode, ao mesmo tempo, expressar e receber a “verdade” de cada um, sabendo que todas são relativas.
 A primeira coisa que eu quero resgatar é o que falei desde o início: consciência política é consciência política, esporte é esporte. Não acho legal misturar as coisas. Não quero trazer aqui as críticas e questionamentos sobre a realização do Copa no Brasil e os interesses políticos que permearam nossa história, desde a decisão até a realização da Copa. Como a maioria dos brasileiros, concordo que temos outras prioridades, mas não é essa a tônica do que quero falar.
Acho a Copa do mundo um evento muito legal: a reunião de famílias, de amigos, a alegria e o sofrimento comum, o esporte assumindo um papel importante (que ele deve sempre ter) na vida das pessoas. Eu falei importante, não fundamental. Não adianta a gente querer que o povo deixe de curtir os jogos de futebol, não adianta ficar repetindo que é “tudo pão e circo”. Gostamos de futebol! Podemos continuar gostando de futebol, não tem nada de errado nisso. Povos cultos e educados também gostam de futebol. Na minha cabeça, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Acho muito legal também ver o povo cantando junto o hino nacional, esse sentimento de sermos “brasileiros com muito orgulho e com muito amor”, mas isso eu comento depois.
Aí vem o jogo de hoje: uma derrota inacreditável! Nenhum de nós esperava por aquilo... Mas o pior, para mim, não aconteceu dentro do campo, mas fora. O pior foi ver os jornalistas dizerem que o jogo foi a maior humilhação que o Brasil já passou em sua história, que vivemos uma vergonha nacional e que as crianças jamais vão esquecer a tragédia deste dia....Com certeza foi um dia crítico, mas um dia crítico para o FUTEBOL brasileiro, não para a história do país! Pelo amor de Deus.... Depois as pessoas ficam chamando os jogadores de chorões e descompensados... Como não ficar assim diante do papel de super-heróis e da responsabilidade de “salvar” o país que se colocou sobre eles? Eles são apenas jogadores de futebol! Eles jogaram mal, sim. Não estou aqui com lentes cor-de-rosa para dizer que eles jogaram bem e perderam por azar. Eles perderam porque jogaram mal e, por outro lado, a seleção alemã jogou muito bem. Eles perderam porque se descompensaram, sim.... Mas será que algum de nós não teria se descompensado em situação semelhante?  Como a maioria dos brasileiros, fiquei triste e decepcionada.... Aaaahhh, seria tão legal levantar a taça no Maracanã.... Mas longe de ter ficado arrasada ou com raiva dos jogadores, muito menos sentindo vergonha.... Vergonha de quê? Perdemos de 7 a 1. Ponto.
Outras reflexões:
Não entendo muito de futebol, de táticas e técnicas. Não entendo nada da política que corre por trás de uma Copa do Mundo (nem quero entender), mas do pouco que entendo de gente e da paixão que tenho pelo ser humano, algumas coisas ficam reverberando no meu coração. A primeira delas é o exercício da empatia...Colocar-me no lugar desses meninos que estavam no campo. Sim, meninos! Os personagens dessa história têm, em média, 25 anos. É uma das seleções mais jovens da Copa. A maioria deles vêm de família pobre, cada um com sua história. Cada um já esteve do outro lado, passando por situações difíceis no seu dia a dia e se deslumbrando com os jogos da Seleção. Hoje se veem do lado de quem escreve a história (do futebol!). Imagino-os transbordando de desejo de dar ao povo – que eles conhecem tão bem – a alegria da vitória. Estou falando aqui na esfera dos “sonhos”. Na camisa de cada um deles estava o peso da realização de um sonho dos brasileiros.... Que coisa maluca, mas tão verdadeira! E, num país como o nosso, em que o coração pulsa em todas as células do corpo, não teria como ser diferente...Não nesse momento!
Abro aqui um parêntese para falar dos altos salários que recebem como jogadores profissionais nos times em que atuam. Eu sou a primeira a criticar a distorção do que é pago a um jogador de futebol e a um médico ou a um professor...E aqui não estou falando de Brasil, até porque não é o Brasil, o país que faz essas grandes distorções, mas sim, os países mais educados e cultos do mundo...Ironia.... Países que hoje conhecem a dor do desemprego tanto quanto nós. Li uma reportagem que dizia que 70% da população ativa da Espanha está desempregada. Justamente o país do Barcelona, do Real Madrid.... Não quero entrar nesta seara, foi mesmo só um parêntese. O que eu queria, nesse parêntese, era trazer o questionamento sobre a responsabilidade de quem paga, mais do que de quem recebe. A quem recebe, cabe a responsabilidade de usar bem o que ganha, sabendo direcionar o possível para o bem comum. Eu não sei o que cada um faz com o que ganha, por isso, não vou julgar. Também não conheço ninguém que se recebesse a oferta de um salário astronômico diria que não quer. Conheço, sim, muitas pessoas que aceitariam e direcionaria 90% de tudo para o social. Resumindo: o absurdo é pagar salários astronômicos, receber não é pecado! Mas isso também é papo para mais de metro, assunto para outro texto, talvez....rs....
Voltando....
Como já escrevi demais (avisei antes!), vou pontuar algumas coisas em tópicos:
1.       Já vi, em outras Copas, o povo criticando os jogadores por jogarem de “salto alto”. Não vi isso nessa seleção. Vi coração pulsando na ponta de cada chuteira. Vi um time jogando com garra, com vontade, com “propósito”. Agora criticamos o excesso de emoção....Somos assim!
2.       Somos latino-americanos, é fato. Somos um povo com a emoção a flor da pele. Não crucifico os jogadores por terem chorado depois da pressão do jogo contra o Chile. São humanos. Já vi muita gente chorar depois de realizar um objetivo que parecia impossível. Não condeno os jogadores por terem dado caruara depois de tomarem 4 gols em seis minutos... Não achei natural, não fiquei tranquila, achando que estava tudo certo. Óbvio que não! Fiquei triste e decepcionada também, mas não consegui deixar de me colocar no lugar deles. Há cerca de 3 anos, mais ou menos, fez-se a opção de iniciar um trabalho com uma nova seleção. Zerar tudo e começar a preparar um time. Todo mundo sabia que a escolha era essa e a escolha tem seu preço. Não dá para querer exigir desses meninos, a maturidade que nós desejamos que tenham. Não dá para cobrar um resultado sem a preparação necessária. Essa paulada os fará amadurecer e trará um aprendizado inenarrável. Que eles saibam aproveitar e crescer.
3.        Hoje, numa reunião de trabalho falávamos sobre o erro, sobre a importância de errar para aprender.... O erro aconteceu...E um erro grave. E agora? Fazer o que com isso? Se em campo, no futebol, eles deixaram MUITO a desejar, ao saírem do campo, na minha opinião, foram nota dez: não colocaram a culpa em ninguém, não fugiram à responsabilidade, pediram desculpas ao povo brasileiro e, mesmo arrasados, levantaram a cabeça e aplaudiram a torcida. Não vai resolver o problema, não vai mudar o curso da história, mas vai mostrar que se pode perder com dignidade. Por outro lado, a torcida, mesmo arrasada e decepcionada, mesmo tendo gritado olé em vários momentos do jogo, respondeu as palmas dos jogadores cantando “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”
4.       Contrária à opinião de muitos, eu vi nesse time, um grupo. Vi vínculos criados, vi objetivo comum. A questão é que não é um grupo pronto, mas um grupo em formação. Precisa ainda muito aprender, muito praticar para criar o entrosamento necessário. A equipe da Alemanha trabalha junto há 6 anos. Vi nessa seleção entrega e trabalho, vi seriedade e comprometimento. Estou dizendo isso na perspectiva da profissão que escolheram, não de salvadores da pátria.
5.       Contrariando novamente a opinião de muitos, para mim, Felipão é um exemplo de líder. Ainda vou recuperar a entrevista que ele deu depois do jogo para trabalhar suas palavras com as lideranças com que trabalho. Não sei nada de sua competência técnica, mas já acho muito legal ele fazer uma dobradinha com Parreira que, de cara, tem um estilo bem diferente do dele. Como líder de pessoas, eu tiro o chapéu para ele. E hoje, depois do jogo, ele agiu exatamente como eu considero que um verdadeiro líder deve agir.
6.       O esporte é um dos meios mais eficazes de promover a educação. Através do esporte, muito se pode fazer. O esporte e a arte são, na minha opinião, dois instrumentos importantíssimos no resgate da dignidade e da autoestima das pessoas e ensinam muito. Talvez, um dos aprendizados da Copa seja o de olhar para TODOS os esportes e não apenas para o futebol e investir em todos, não como formadores de super heróis, como fábrica de milionários ou de salvadores da pátria, mas como meios efetivos de encarar a vida sob outra perspectiva. Falando nisso, alguém sabia que Thiago Pereira ganhou medalha de outro na natação hoje?
7.       Para terminar os tópicos, só uma observação: eu fiquei chocada com a agressividade que vi rolando nas redes sociais... Acho legal o bom humor, aquela velha história de fazer limonada dos limões mais azedos.... Eu mesma sempre posto algumas brincadeiras, acho saudável. Mais vi alguns excessos que me incomodaram e, confesso, me deixaram mais triste do que a partida em si.

Bem, foi só um jogo de futebol...Com certeza, apenas um jogo de futebol. Mas foi um “evento” que mobilizou o país inteiro. Tudo o que mobiliza merece atenção, merece reflexão. Tudo o que mobiliza, ensina. Claro, ensina a quem se dispõe a aprender. E cada um aprende o que quer aprender. Espero que aprendamos muito, não apenas com esses 7 a 1, mas com tudo o que aconteceu nesses dias, o comportamento dos atletas e o comportamento da gente....
Para terminar, um pedido: não vamos fazer eco dessa história de que somos o cocô do cavalo do bandido e os alemães são os maravilhosos. Vamos acabar com essa história de que os alemães são pessoas sérias e trabalhadoras e nós somos malandros e seguidores da lei de Gerson.... O que é isso, minha gente? Não que não seja verdade a parte que compete a eles, mas não é possível que nos enxerguemos dessa forma, indistintamente. Colocamos um chapéu em nossas cabeças e assumimos esse personagem do malandro sem escrúpulos indistintamente? Não, por favor! Temos muita gente fazendo mal a nosso país, sim, mas temos muita gente competente, ralando, trabalhando e dando resultados sérios e importantes para nossa sociedade. Temos pessoas corruptas, mas temos muita gente do bem.... Enquanto nós, brasileiros, nos julgarmos assim, continuaremos morando no quintal do mundo. Não se trata de colorir a realidade, mas de dar a ela, a dimensão que ela tem. Por favor, nós, os brasileiros, não somos o que andam dizendo por aí.... Se na nossa cesta existem laranjas podres, nela também existem laranjas suculentas e capazes de alimentar a muitos.


Renata Villela 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Amar é tão simles




Amar é tão simples,
um carinho, um abraço, um sorriso,
um colinho, um olhar sem compromisso,
a presença que marca
um outro alguém.

É gostoso amar na brincadeira,
colorindo a alegria escondida,
que germina além qualquer ferida
e resgata a mina do tesouro
submerso na areia
do abandono.

Amar é tão simples,
sentar junto e escutar tantas histórias,
segurar com carinho, a mamadeira,
de surpresa, despertar lá da memória,
a criança que vive
em todos nós.

Dançar a emoção de quem se entrega,
cantar e correr no pega-pega,
superar-se e brincar de pula corda
na esperança do riso que acorda
a infância roubada
em violência.

Amar é tão simples
é viver a experiência do momento
e doar-se num livre envolvimento
pois amor é bem mais que sentimento,
é presença,
é ação que tem raiz.

É feliz quem entende que o amor
multiplica a vontade de amar,
não tem preço, começo ou final,
é uma chama que traz o ideal
para o alcance das nossas
próprias mãos.






                                Renata Villela, janeiro/2014

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Feliz Vida Nova !


Eu conheço quem considera a virada do ano uma grande bobagem, já que é apenas mais um mês que termina para dar início a outro. Não posso dizer que esta seja uma constatação errada, mas defendo a máxima de que o ser humano precisa de ritos e a “virada” é um desses ritos importantes para nos manter vivos (e não apenas sobreviventes de uma era desordenada e doida!).
Ainda que durante o ano façamos promessas de mudança, planejemos realizações, revisemos nossa caminhada, é nessa época do ano que passamos a limpo  tudo o que fizemos e deixamos de fazer e colocamo-nos cara a cara com nosso próprio eu, numa espécie de prestação de contas.
É chegada a hora de nos esvaziar de tudo o que nos causou estresse, provocou mágoas, abriu feridas  e  fez sofrer. De tudo isso, como mandava a velha matemática, noves fora,  fica o aprendizado para vivermos melhor, mais conscientes de nossos limites, de nossas fragilidades, de nossas necessidades e dos trunfos que trazemos para ganhar os campeonatos que a vida nos propõe (ou impõe).
É chegada a hora de fazer um check list de nossos compromissos para o ano novo, escrever numa folha de papel, colocando prazos. Criar metas para nós mesmos é um excelente exercício de desenvolvimento pessoal. Corremos o ano todo para cumprir metas estabelecidas pelos outros e para os outros.  Criar metas para nós mesmos é uma forma de declarar nosso amor pela pessoa que somos, buscando ser melhor a cada dia, não para atender expectativas e padrões, mas para tornar visível o desejo que nos move: queremos ser felizes.
E felicidade é o tipo da coisa que muda conforme o dono: para uns, ser feliz é ter saúde, para outros é ter dinheiro; para uns, é ser livre, para outros, é estar amarrado a alguém; para uns, é viver aventuras, para outros é ter estabilidade; para uns, é ter um corpo bonito, para outros, é viver numa sociedade bonita; para uns, é dormir tranquilo todas as noites, para outros é ter todo segundo ocupado; para uns, é sentir-se sempre desafiado e superar-se, para outros é sentir-se recompensado e aconchegado num ponto de chegada; para uns, é ver felizes, as pessoas com quem convive, para outros é fazer o possível para que o máximo de pessoas esteja feliz. Não importa qual seu conceito de felicidade, importa é não cruzar os braços, deixando que ela passe pelo lado de fora.
É chegada a hora de abrir as portas de nossos corações e deixar com que sejam invadidos por nossos sonhos e esperanças, por todos os nossos desejos , dos mais simples aos mais complexos, os que só dependem de nós e os que dependem de toda uma conjuntura. É bom saboreá-los todos, indistintamente, para depois, sim, avaliarmos em quais precisaremos investir nossa energia.
Realmente, quando os relógios apontarem meia-noite, os fogos estourarem no céu, as pessoas se abraçarem, a Terra não vai mudar sua rotação nem sua translação, as guerras e atos terroristas não  acabarão, abóboras não se transformarão em carruagens, sapos não virarão príncipes, a corrupção continuará “comendo pelas beiradas”, cidades continuarão perdendo a guerra contra a força da natureza...  Somente uma coisa poderá mudar nessa virada de ano: nossas atitudes !
É certo que todo minuto da vida é oportunidade de mudar, mas já que o mundo nos faz esse convite explícito para virarmos uma página de nossas vidas,  eu proponho que digamos sim e iniciemos um novo capítulo de nossa história.
Que vivamos esse rito com alegria, com fé e com coragem, que assumamos o compromisso de sermos promotores da paz através de nossas atitudes diárias e que, mesmo que pulemos  sete ondinhas, que coloquemos o pé direito na frente,  que comamos lentilhas, guardemos em nossos corações a certeza de que somos nós os responsáveis pelo que fazemos de nossas vidas!
E que façamos de nossas vidas o mais bonito presente para a humanidade!

Renata Villela (dezembro/2013)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Tempo de Natal

Novamente chega dezembro, mais uma vez, é tempo de Natal. Temos, como em todos os anos, diferentes alternativas para viver esse tempo. Podemos ocupar a maior parte de nossas horas do dia indo aos shoppings superlotados, comprar, comprar, comprar, fazer dívidas maiores do que nossa condição de pagá-las e nos deixar levar pela turba contagiada pelo consumismo. Podemos, por outro lado, simplesmente, aproveitar esse tempo para presentear as pessoas que amamos, independente do valor material que esses presentes tenham, apenas como uma forma de materializar nosso carinho. Podemos também não comprar nada e nos esquivar desse lado que o comércio tanto gosta de explorar. O mais importante é que, independente de qual seja a nossa escolha, tenhamos viva dentro de nós a certeza de quem é o dono de quem: temos o dinheiro que compra ou o dinheiro nos tem com reféns? Reforçarmos ou recuperarmos nosso lugar de sujeitos da história é o que realmente importa. Não sendo assim, a manjedoura continuará vazia!
É tempo de Natal! Podemos nos preocupar com a ceia, para que seja a mais deliciosa possível, perus, leitões, bacalhau, tender, frutas secas, nozes, avelãs, castanhas, saladas variadas, toalhas coloridas... Podemos, por outro lado, arrumar a mesa da cozinha e lá colocar feijão, arroz e carne seca. Podemos, ainda, ter apenas um pedaço de pão... Na verdade, meu sentimento é de que pouco importa o que está sobre a mesa, importa quem está em torno dela: que sejam pessoas que partilham seu dia-a-dia com amor e respeito mútuo, que sejam pessoas dispostas a revisitar seus cantinhos escuros para, assim, transformarem-se em pessoas melhores para o outro, pessoas com dificuldades, com espinhos, pecadoras, mas que se esforçam para se entregar e integrar por causa do Amor que as faz amar. Se não for assim, a manjedoura continuará vazia!
Podemos tantas coisas...Ir à missa ou ao culto, ou ao lugar sagrado, seja ele qual for, onde nos sintonizamos com Deus todos os dias, ou podemos não conseguir  ir a esses lugares, tantas vezes quanto gostaríamos. Podemos fazer novena, retiros espirituais, silenciar,mergulhar em nossos corações  e buscar no silêncio, o Amor que nos renova. Podemos também  exercitar esse amor  visitando creches, orfanatos, asilos, na ânsia de fazer o que desejamos durante todos os meses do ano, mas acabamos nos deixando levar pelo corre-corre ou pela rotina.  Não importa qual o caminho que  encontramos para desempoeirar nosso desejo de amar nesse tempo de Natal, importa, sim, que esse desejo se torne realidade e nos faça crescer em fraternidade...E nos impulsione a multiplicar os momentos de encontro, seja com nosso eu mais profundo, seja com os pequeninos de Deus, sempre como exercício de amor porque, se não for assim, a manjedoura continuará vazia.
Podemos encarar o mês de dezembro como apenas mais um mês do ano, igual a todos os outros. Podemos encarar esse tempo como oportunidade de fazer o que sentimos vontade durante o ano e não conseguimos. Podemos chorar de saudade do tempo que se foi ou das pessoas que partiram. Podemos voltar à infância olhando as crianças diante do Papai Noel. Podemos tirar um percentual de nosso salário para contribuir com uma dessas campanhas que sempre acontecem aos dezembros. Podemos armar nossa árvore e arrumar nosso presépio. Mas se tudo isso for feito mecanicamente, como quem repete a mesma coisa que faz desde que nasceu... Sinto muito, a manjedoura continuará vazia.
Viver o Natal é se permitir ser a manjedoura vazia onde Jesus Menino nasce para viver, dentro de nós, durante os 365 dias do ano. Viver o Natal é faxinar nossa casa, passar a limpo a história que escrevemos ao longo do ano, revendo tudo o que nos fez sofrer (ou que fez alguém sofrer), repensando todas as oportunidades de fazer o bem a alguém, que deixamos passar  batidas, por omissão ou comodismo e, com a casa arrumada, nos predispormos a viver diferente. Viver o Natal é sentir – de dentro para fora – que podemos ser pessoas melhores sempre, que Deus nos ama do jeito que somos, pequenos, pecadores, falíveis e faltantes e espera de nós, quetambém amemos, inclusive quem nos faz mal, doando  nossos tesouros a quem cruzar nossos caminhos.
Viver o Natal é simples, apesar de não ser fácil, mas não é fácil,justamente, porque aprendemos a complicar tudo, a transformar supérfluos em primeiras necessidades, a desconfiar de todos, a pagar por tudo e, assim,  desaprendemos a simplicidade, a gratuidade, o companheirismo e a confiança.
Tudo começa num SIM.  E eu acredito que, a cada Natal, menos manjedouras estarão vazias, por mais que a mídia noticie o inverso.
Tudo começa num SIM. E eu acredito que viver o Natal não é apenas relembrar o que já aconteceu. É fazer acontecer o que virá, com AMOR.
Pensando assim ou, mais do que isso, sentindo assim, que consigamos viver cada Natal e todos os Natais, como a terna oportunidade que Deus nos dá de acolher o Amor em nossos corações e assumir o compromisso de, encontrando manjedouras vazias, apontar a estrela que mostra o caminho ao Salvador.


Renata Villela  -  Dezembro/2013


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A vida e o tempo



O tempo é artesão da vida
a bordar cada momento
com fios de eternidade
ou de esquecimento
a depender de nossas escolhas.

O tempo guarda tesouros
em lembranças preciosas
que, um dia, viram saudade.
O tempo também esconde tristezas
pela certeza de que oportunidades perdidas
evaporam... E não voltam jamais!

A  vida guarda surpresas
e segredos...
Cicatrizes que escondem dores
e encontros que refletem cores
feito arco-íris
que dão sentido
à nossa caminhada.

A vida se renova a todo instante
em que alguém se torna importante
para nossa lapidação.
A vida esconde mistérios
por trás de janelas e portas
que somente quando abertas
apontam os caminhos do coração.

A certa altura da vida, aprendemos
que se o tempo tem seu próprio comandante,
nós temos o que há de mais importante:
a chave da vida em nossas mãos.
E se, às vezes,
na porta encontramos cadeados,
vale o aprendizado
de saber olhar para o lado,
deixando brotar a alegria
de uma companhia que surge
de um lugar qualquer.


Assim é a vida....

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Louvado seja Francisco!



Reconstrói a minha Igreja, Francisco,
pediu Jesus!
Despido, caminhou aos pobres,
foi pobre e destemido,
foi além do esperado,
fez do Evangelho, vida,
em tudo louvou
seu Deus tão amado.
Mas os anos se passaram
e as pessoas se esqueceram
das coisas mais importantes;
ergueram catedrais,
subiram em pedestais
e se afastaram da verdadeira luz,
esqueceram da igreja de Jesus!

Reconstrói a minha igreja, Francisco,
pediu, novamente Jesus,
à luz do terceiro milênio!
Relembra Francisco de Assis,
vive do jeito que Eu quis
que todos os meus apóstolos vivessem!
Mostra  que nossos tesouros
não são feitos de ouro,
mas do Amor que é doação.
Amor que se multiplica
a cada encontro entre irmãos
e eterniza-se no no sim cotidiano
de quem se dispõe a fazer diferença,
a ser presença em comunhão.

Vive Francisco entre nós,
com a voz cheia de entusiasmo,
com a energia de quem se incomoda
com o marasmo que acomoda.
Vive Francisco entre nós,
com a alegria de quem nutre a confiança
no Deus que nos ama incondicionalmente;
vive Francisco que expressa
no sorriso e no olhar
tudo o que sente e acredita,
encantando-nos com seu jeito verdadeiro
de servir e de amar.

Vive Francisco entre nós,
alimentando nossa esperança
em um mundo melhor,
com o sorriso que derrama
a ternura da criança,
com o olhar que reflete a certeza
da beleza que brota
no coração de quem ama.

Vive Francisco entre nós,
ensinando simplicidade
como bem mais precioso,
vivendo no seu dia-a-dia
a experiência da humildade
de um homem generoso
e mostrando que é possível
enxergar o invisível
com os olhos do coração.

Vive Francisco que prega a justiça
e denuncia a corrupção,
que fala em fraternidade
e renega a omissão.
Vive Francisco que nos surpreende
com a grandeza de sua missão,
praticando a empatia
com gente de toda idade,
dando sua prioridade
aos pobres e aos doentes,
do corpo, da mente e do coração.

Louvado seja Deus que nos deu Francisco!
Louvado seja Francisco que nos leva a Deus!
Louvada seja a Igreja que escolheu Francisco!
Louvado seja Francisco que acolheu a igreja
santa e pecadora!
Louvada seja Maria, Mãe Protetora,
Senhora Aparecida que abençoa Francisco!
Louvado seja Francisco que ecoa a voz de Cristo
que espelha o amor de Cristo
em seu sorriso e em seu olhar!
Louvado seja o Papa que nos convida a sorrir!
Louvado seja Francisco que nos inspira a seguir
seu exemplo!
Louvado seja Pedro que se fez pedra com sua humanidade!
Louvado seja Francisco que aceita sua vulnerabilidade
e se entrega sem temor,
porque confia no Amor
a quem disse o seu sim.

Amém!

domingo, 21 de julho de 2013

Silêncio que fala


Amigo
É gente que guarda
O sabor da aurora
E une o tempo
Num único agora
Na dança da vida
Que espera o amanhã.

Amigo
É fruto colhido
Da luz em semente
É flor perfumada
Que exala pra gente
A cor e a delícia
De abrir-se ao sol.

É pé na estrada
E porto seguro,
Aponta a ponte
Onde a vida vê muro
Entende o não dito
No grito do olhar.

No choro e no riso,
Presença esperada,
Palavra que acolhe
Sem hora marcada
Silêncio que fala
Em tom de oração.

Amigo,
Abrigo, surpresa,
Pureza, impulso,
Segredo, verdade,
A luta e o luto,
Saudade que pulsa
E embala a esperança.

Amigo,
Abraços, sorrisos,
Encontros, caminhos,
Carinho, ternura,
Aventura, sossego,
A força que cura,

Presença de Deus.