quinta-feira, 7 de maio de 2015

Maternar

Maternar

Existem coisas que exigem centenas de palavras para que cheguemos à sua tradução completa; já outras, transcendem todas elas juntas... A maternidade é uma dessas palavras que nos colocam de frente com nossa incompetência linguística, se é que podemos dizer assim.
Maternar é um verbo que parece brotar dos corações, transformando-os! É um verbo que traz a imagem da fonte que jorra a água mais límpida!
São privilegiadas as pessoas que maternam. Privilegiadas também são as que são maternadas. Maternar é mais que gerar! É amar incondicionalmente, é cuidar initerruptamente, é se entregar absolutamente.
São felizes as mulheres que geram seus filhos e acompanham semana a semana o desenvolvimento do embrião que se faz feto, do feto que se faz criança. Somente quem viveu essa experiência é capaz de compreendê-la. Hoje penso, entretanto, que a felicidade da maternidade vai muito além da gestação e do parto. Felizes as pessoas que maternam sem terem gerado, que cuidam por opção, que se entregam ao desconhecido que, por amor,  torna-se parte de uma  vida maior.
Existem mães de todas as idades... Desde a menina que ainda na infância se vê com a responsabilidade de cuidar dos irmãos menores até a avó que assume para si a competência maternal que, por mil motivos, não foi devidamente absorvida pelos pais. Existem mães que planejaram com todos os detalhes a vinda de seu bebê e aquelas que foram tomadas de surpresa e, ainda que no susto, disseram e assumiram seu sim. Existem mães que foram em busca de seus filhos – nascidos de outras barrigas – nos cantos mais escondidos do país...Ou do planeta.  Existem mães paparicadas pela família e mães solitárias e abandonadas ao destino. Existem mães com condição de suprir seus filhos de todas as suas necessidades e mães que encaram toda privação para garantir o mínimo necessário à sobrevivência de sua “cria”.
Por incrível – e até absurdo que possa parecer para muitos – maternar não é um verbo específico do sexo feminino....Existem homens que maternam de uma forma muito mais intensa e plena do que muitas mulheres! Maternar também não tem ligação direta com a fertilização do óvulo, com as 40 semanas de gestação, com as dores do parto nem com a vivência numa mesma casa. Existem muitas mulheres que engravidaram, pariram, colocaram seus filhos no mundo – literalmente – e nunca maternaram... Quem materna, não explora, não abandona, não espanca, não mata. Maternar implica nesse amor que dá a vida.
Quem materna sabe o que são noites sem dormir, sabe o que é  andar pé ante pé ao quarto, no meio da madrugada, para acompanhar a respiração do bebê, sabe o que é a angústia da febre que não abaixa e do telefone que não toca. Quem materna entende a emoção do primeiro passinho, da palavra balbuciada, do sorriso que escapole, do abraço apertado...Uuupaaa!!!! Quem materna sabe a ansideade que faz o coração disparar na espera do resultado do vestibular, nas viagens com os amigos e nas conquistas, sejam elas que dimensão tenham.
Eu quero celebrar o dia das mães que maternam, dos pais que maternam, dos avós que maternam, dos irmãos que maternam. Mais, muito mais do que isso, eu quero celebrar a vida de todos os que maternam e reacendem – diariamente – a chama do amor no mundo.  E quero lembrar que maternar é um verbo que transcende a vida, vai além da vida, pulsa na eternidade. Materna que vive a esperança e quem vive a saudade. Materna quem ama e, quem ama, sabe que o amor não conhece limites, fronteiras nem quebras. Amor maternado transforma, transborda, transcende e constroi pontes para muito além do aqui e agora. Amor maternado implica certezas: de encontros e reencontros, de perdões e recomeços, de sorrisos que se sobrepõem a lágrimas e de histórias que não têm ponto final.

                                                              


Renata Villela – Maio/2015 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Aquarela de Viver



Em tempos de carnaval sempre vale pensar nas alegrias e ALEGRIAS e na responsabilidade que temos sobre elas !

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Natal do Menino Jesus



É chegada a hora, o Menino vai nascer !

Quando chega o Advento, minha sensação é de faxina interior. Aos poucos vou tentando desempoeirar meu coração, jogar fora velhas mágoas, lustrar meus relacionamentos, rearrumar minha estante de prioridades. Quero arrumar a minha casa para receber o Menino Deus. Nessa faxina, revejo cada momento de minha vida, como um filme, e fico pensando em quantas vezes não fui digna de recebê-Lo na casa do meu coração, porque fui egoísta, fui intolerante, fui omissa. Nessa faxina, abro as portas e janelas para que o ar do Novo Tempo penetre em meus cantos mais escuros e peço perdão por todos os meus erros e também pelas vezes em que deixei de fazer o bem, afinal, apenas não fazer o mal não basta. É urgente fazer o bem! É urgente sermos testemunhas do amor de Deus em cada uma de nossas atitudes durante todo o tempo de nossas vidas. É pensando assim que rearrumo meu coração: quero ser manjedoura!
Esse é o convite que eu faço, também, a todos os que se dispõem a viver o Natal de dentro para fora: sejamos manjedouras! Não nos preocupemos em ser perfeitos, lembremos que ELE escolheu as palhas, não os palácios. É aos pequeninos, aos imperfeitos, aos doentes, aos pecadores, aos que se dispõem a ser pessoas melhores que Jesus nasce... Pequenino! Indefeso! Frágil! Igual a nós! Sim, não nos enganemos com as capas de super herois que, muitas vezes, colocamos sobre nós, na tentativa de esconder nossos espinhos e imperfeições... Não tem jeito, somos frágeis e vulneráveis, como galho que se quebra em ventania. E por saber que somos assim e nos amar sendo quem somos, que Deus se fez como nós.
Sejamos manjedouras para acolher, em oração, o Deus que se fez criança para que percebêssemos o que é essencial e escolhêssemos viver nossas vidas pautadas nesse Essencial. Sejamos manjedouras para acolher, através de nossas atitudes diárias, aqueles que têm fome, que estão nus e cansados, presos e desanimados, tristes e violentados.... É a Jesus que acolhemos em cada um desses pequeninos, excluídos da sociedade, carentes e famintos de justiça e paz.
Sejamos manjedouras! Sempre é tempo (e sempre há tempo) de arrumar nossas casas e começar nossa faxina. Ele espera! Ele sempre espera! Vamos jogar fora tudo o que nos afasta do projeto que Jesus sonhou. Abramos nossas janelas e sintamos a brisa do Espírito do Natal tomar conta de tudo, renovar nossas forças, alimentar nossos sonhos e, sobretudo, despertar nossos corações para a realidade que pulsa do outro lado da rua.  Repito: não fazer o mal é muito pouco! Até porque – seres imperfeitos que somos – de alguma forma, vez por outra pisamos na bola! Faz parte da natureza humana. Precisamos mais do que cuidar para não fazer o mal. Precisamos nos inquietar diante das coisas do mundo, nos desacomodar diante das facilidades do nosso tempo e ir aonde o povo está. Precisamos enxergar o Menino que nasce hoje e continua encontrando portas fechadas
Vivamos a experiência do Natal todos os dias do ano. Guardemos o dia 25 de dezembro como memorial do Amor que dá novo sentido às nossas vidas, quebra os paradigmas da sociedade do ter e do poder e nos inspira a renovar nossa esperança em um mundo mais fraterno. Para além da data histórica, vivamos - sem restrições – a experiência de reconhecer o Menino Jesus entre nós, no dia a dia. Muito mais do que um dia especial do ano, o Natal é uma proposta de vida.

Aaaah, meu Menino, abre nossos olhos e nossos corações!!! Escuta nossas preces e vem ao nosso encontro!
Inspira-nos a olhar com mais cuidado e ternura para cada criança, esteja ela onde estiver: nas esquinas, nos apartamentos, nas escolas, nos abrigos, nos shoppings, nas praças... Cada uma tem sua dor e sua história, cada uma tem sua ingenuidade e seus medos...Tão pouco olhamos para elas com o olhar de quem ama!
Ensina-nos a simplicidade de quem não faz exigências, não critica desconfortos nem lamenta frustrações; sabe o que é, de fato,  importante.
Impulsiona-nos a sair de nossos sofás, de nossas cadeiras, da frente dos computadores e das TVs, da redoma de nossos escritórios e condomínios e lança-nos às periferias, onde o povo bate laje, senta na calçada e corre de tiroteios quase diários.
Instiga-nos, com Seu Exemplo, a respeitar as diferenças, a não discriminar, a abraçar aqueles que nossa sociedade exclui, sem taxá-los, categorizá-los ou rotulá-los. Contagia-nos a sentir cada um como irmão; a amar cada um como irmão.
Ah, meu Menino, faz-nos reconhecê-Lo no bebê abandonado na maternidade, na criança espancada, violentada, esquecida, machucada, comprometida em seu desenvolvimento por causa da violência e do descaso, da irresponsabilidade e da inconsequência. Movimenta-nos ao encontro de cada pessoa que sofre, fazendo nosso coração sentir a graça da Sua presença em cada uma delas.
Inspira-nos, Deus do Amor, a ser pessoas melhores, a julgar menos e acolher mais, a exigir menos e doar-nos mais, a apontar menos para o outro e olhar mais para nós mesmos antes de qualquer crítica. Ensina-nos a empatia, a alegria, o encantamento de servir. E perdoa-nos por todas as vezes em que nos deixamos vencer pela acomodação e pelo egoismo.
Meu Jesus Menino, aceita nossos corações como Seu berço. Eis-nos aqui ! Nasce em nós! Transforma-nos!
Amém!                                
                                                            Renata Villela  -  Dezembro/2014

terça-feira, 8 de julho de 2014

Eu sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor...



Desde que a Copa do Mundo começou, eu queria escrever.... Algum bichinho aqui dentro, entretanto, me dizia para esperar...Chegou a hora!
São várias reflexões, alguns questionamentos, certezas que nasceram, dúvidas que surgiram...E o desejo de partilhar com vocês o que ficou. Hoje, no trabalho, eu falei para alguns líderes que “o mundo da retórica deu lugar ao mundo da síntese”, mas peço desculpas a todos, pois aqui o que vou usar é a retórica. Fica o desafio de ler até o fim....rs.....
Antes de qualquer coisa, quero dizer com toda verdade de meu coração que o que estou escrevendo é o que penso e sinto. Respeito outras opiniões e outras percepções. Sei que muitas vezes falo e escrevo com uma entonação que pode parecer que sou a dona da verdade, mas falo o que acredito, o que é verdade PARA MIM. Não acredito na verdade absoluta, por isso acho muito legal esse espaço de liberdade onde cada um pode, ao mesmo tempo, expressar e receber a “verdade” de cada um, sabendo que todas são relativas.
 A primeira coisa que eu quero resgatar é o que falei desde o início: consciência política é consciência política, esporte é esporte. Não acho legal misturar as coisas. Não quero trazer aqui as críticas e questionamentos sobre a realização do Copa no Brasil e os interesses políticos que permearam nossa história, desde a decisão até a realização da Copa. Como a maioria dos brasileiros, concordo que temos outras prioridades, mas não é essa a tônica do que quero falar.
Acho a Copa do mundo um evento muito legal: a reunião de famílias, de amigos, a alegria e o sofrimento comum, o esporte assumindo um papel importante (que ele deve sempre ter) na vida das pessoas. Eu falei importante, não fundamental. Não adianta a gente querer que o povo deixe de curtir os jogos de futebol, não adianta ficar repetindo que é “tudo pão e circo”. Gostamos de futebol! Podemos continuar gostando de futebol, não tem nada de errado nisso. Povos cultos e educados também gostam de futebol. Na minha cabeça, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Acho muito legal também ver o povo cantando junto o hino nacional, esse sentimento de sermos “brasileiros com muito orgulho e com muito amor”, mas isso eu comento depois.
Aí vem o jogo de hoje: uma derrota inacreditável! Nenhum de nós esperava por aquilo... Mas o pior, para mim, não aconteceu dentro do campo, mas fora. O pior foi ver os jornalistas dizerem que o jogo foi a maior humilhação que o Brasil já passou em sua história, que vivemos uma vergonha nacional e que as crianças jamais vão esquecer a tragédia deste dia....Com certeza foi um dia crítico, mas um dia crítico para o FUTEBOL brasileiro, não para a história do país! Pelo amor de Deus.... Depois as pessoas ficam chamando os jogadores de chorões e descompensados... Como não ficar assim diante do papel de super-heróis e da responsabilidade de “salvar” o país que se colocou sobre eles? Eles são apenas jogadores de futebol! Eles jogaram mal, sim. Não estou aqui com lentes cor-de-rosa para dizer que eles jogaram bem e perderam por azar. Eles perderam porque jogaram mal e, por outro lado, a seleção alemã jogou muito bem. Eles perderam porque se descompensaram, sim.... Mas será que algum de nós não teria se descompensado em situação semelhante?  Como a maioria dos brasileiros, fiquei triste e decepcionada.... Aaaahhh, seria tão legal levantar a taça no Maracanã.... Mas longe de ter ficado arrasada ou com raiva dos jogadores, muito menos sentindo vergonha.... Vergonha de quê? Perdemos de 7 a 1. Ponto.
Outras reflexões:
Não entendo muito de futebol, de táticas e técnicas. Não entendo nada da política que corre por trás de uma Copa do Mundo (nem quero entender), mas do pouco que entendo de gente e da paixão que tenho pelo ser humano, algumas coisas ficam reverberando no meu coração. A primeira delas é o exercício da empatia...Colocar-me no lugar desses meninos que estavam no campo. Sim, meninos! Os personagens dessa história têm, em média, 25 anos. É uma das seleções mais jovens da Copa. A maioria deles vêm de família pobre, cada um com sua história. Cada um já esteve do outro lado, passando por situações difíceis no seu dia a dia e se deslumbrando com os jogos da Seleção. Hoje se veem do lado de quem escreve a história (do futebol!). Imagino-os transbordando de desejo de dar ao povo – que eles conhecem tão bem – a alegria da vitória. Estou falando aqui na esfera dos “sonhos”. Na camisa de cada um deles estava o peso da realização de um sonho dos brasileiros.... Que coisa maluca, mas tão verdadeira! E, num país como o nosso, em que o coração pulsa em todas as células do corpo, não teria como ser diferente...Não nesse momento!
Abro aqui um parêntese para falar dos altos salários que recebem como jogadores profissionais nos times em que atuam. Eu sou a primeira a criticar a distorção do que é pago a um jogador de futebol e a um médico ou a um professor...E aqui não estou falando de Brasil, até porque não é o Brasil, o país que faz essas grandes distorções, mas sim, os países mais educados e cultos do mundo...Ironia.... Países que hoje conhecem a dor do desemprego tanto quanto nós. Li uma reportagem que dizia que 70% da população ativa da Espanha está desempregada. Justamente o país do Barcelona, do Real Madrid.... Não quero entrar nesta seara, foi mesmo só um parêntese. O que eu queria, nesse parêntese, era trazer o questionamento sobre a responsabilidade de quem paga, mais do que de quem recebe. A quem recebe, cabe a responsabilidade de usar bem o que ganha, sabendo direcionar o possível para o bem comum. Eu não sei o que cada um faz com o que ganha, por isso, não vou julgar. Também não conheço ninguém que se recebesse a oferta de um salário astronômico diria que não quer. Conheço, sim, muitas pessoas que aceitariam e direcionaria 90% de tudo para o social. Resumindo: o absurdo é pagar salários astronômicos, receber não é pecado! Mas isso também é papo para mais de metro, assunto para outro texto, talvez....rs....
Voltando....
Como já escrevi demais (avisei antes!), vou pontuar algumas coisas em tópicos:
1.       Já vi, em outras Copas, o povo criticando os jogadores por jogarem de “salto alto”. Não vi isso nessa seleção. Vi coração pulsando na ponta de cada chuteira. Vi um time jogando com garra, com vontade, com “propósito”. Agora criticamos o excesso de emoção....Somos assim!
2.       Somos latino-americanos, é fato. Somos um povo com a emoção a flor da pele. Não crucifico os jogadores por terem chorado depois da pressão do jogo contra o Chile. São humanos. Já vi muita gente chorar depois de realizar um objetivo que parecia impossível. Não condeno os jogadores por terem dado caruara depois de tomarem 4 gols em seis minutos... Não achei natural, não fiquei tranquila, achando que estava tudo certo. Óbvio que não! Fiquei triste e decepcionada também, mas não consegui deixar de me colocar no lugar deles. Há cerca de 3 anos, mais ou menos, fez-se a opção de iniciar um trabalho com uma nova seleção. Zerar tudo e começar a preparar um time. Todo mundo sabia que a escolha era essa e a escolha tem seu preço. Não dá para querer exigir desses meninos, a maturidade que nós desejamos que tenham. Não dá para cobrar um resultado sem a preparação necessária. Essa paulada os fará amadurecer e trará um aprendizado inenarrável. Que eles saibam aproveitar e crescer.
3.        Hoje, numa reunião de trabalho falávamos sobre o erro, sobre a importância de errar para aprender.... O erro aconteceu...E um erro grave. E agora? Fazer o que com isso? Se em campo, no futebol, eles deixaram MUITO a desejar, ao saírem do campo, na minha opinião, foram nota dez: não colocaram a culpa em ninguém, não fugiram à responsabilidade, pediram desculpas ao povo brasileiro e, mesmo arrasados, levantaram a cabeça e aplaudiram a torcida. Não vai resolver o problema, não vai mudar o curso da história, mas vai mostrar que se pode perder com dignidade. Por outro lado, a torcida, mesmo arrasada e decepcionada, mesmo tendo gritado olé em vários momentos do jogo, respondeu as palmas dos jogadores cantando “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”
4.       Contrária à opinião de muitos, eu vi nesse time, um grupo. Vi vínculos criados, vi objetivo comum. A questão é que não é um grupo pronto, mas um grupo em formação. Precisa ainda muito aprender, muito praticar para criar o entrosamento necessário. A equipe da Alemanha trabalha junto há 6 anos. Vi nessa seleção entrega e trabalho, vi seriedade e comprometimento. Estou dizendo isso na perspectiva da profissão que escolheram, não de salvadores da pátria.
5.       Contrariando novamente a opinião de muitos, para mim, Felipão é um exemplo de líder. Ainda vou recuperar a entrevista que ele deu depois do jogo para trabalhar suas palavras com as lideranças com que trabalho. Não sei nada de sua competência técnica, mas já acho muito legal ele fazer uma dobradinha com Parreira que, de cara, tem um estilo bem diferente do dele. Como líder de pessoas, eu tiro o chapéu para ele. E hoje, depois do jogo, ele agiu exatamente como eu considero que um verdadeiro líder deve agir.
6.       O esporte é um dos meios mais eficazes de promover a educação. Através do esporte, muito se pode fazer. O esporte e a arte são, na minha opinião, dois instrumentos importantíssimos no resgate da dignidade e da autoestima das pessoas e ensinam muito. Talvez, um dos aprendizados da Copa seja o de olhar para TODOS os esportes e não apenas para o futebol e investir em todos, não como formadores de super heróis, como fábrica de milionários ou de salvadores da pátria, mas como meios efetivos de encarar a vida sob outra perspectiva. Falando nisso, alguém sabia que Thiago Pereira ganhou medalha de outro na natação hoje?
7.       Para terminar os tópicos, só uma observação: eu fiquei chocada com a agressividade que vi rolando nas redes sociais... Acho legal o bom humor, aquela velha história de fazer limonada dos limões mais azedos.... Eu mesma sempre posto algumas brincadeiras, acho saudável. Mais vi alguns excessos que me incomodaram e, confesso, me deixaram mais triste do que a partida em si.

Bem, foi só um jogo de futebol...Com certeza, apenas um jogo de futebol. Mas foi um “evento” que mobilizou o país inteiro. Tudo o que mobiliza merece atenção, merece reflexão. Tudo o que mobiliza, ensina. Claro, ensina a quem se dispõe a aprender. E cada um aprende o que quer aprender. Espero que aprendamos muito, não apenas com esses 7 a 1, mas com tudo o que aconteceu nesses dias, o comportamento dos atletas e o comportamento da gente....
Para terminar, um pedido: não vamos fazer eco dessa história de que somos o cocô do cavalo do bandido e os alemães são os maravilhosos. Vamos acabar com essa história de que os alemães são pessoas sérias e trabalhadoras e nós somos malandros e seguidores da lei de Gerson.... O que é isso, minha gente? Não que não seja verdade a parte que compete a eles, mas não é possível que nos enxerguemos dessa forma, indistintamente. Colocamos um chapéu em nossas cabeças e assumimos esse personagem do malandro sem escrúpulos indistintamente? Não, por favor! Temos muita gente fazendo mal a nosso país, sim, mas temos muita gente competente, ralando, trabalhando e dando resultados sérios e importantes para nossa sociedade. Temos pessoas corruptas, mas temos muita gente do bem.... Enquanto nós, brasileiros, nos julgarmos assim, continuaremos morando no quintal do mundo. Não se trata de colorir a realidade, mas de dar a ela, a dimensão que ela tem. Por favor, nós, os brasileiros, não somos o que andam dizendo por aí.... Se na nossa cesta existem laranjas podres, nela também existem laranjas suculentas e capazes de alimentar a muitos.


Renata Villela 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Amar é tão simles




Amar é tão simples,
um carinho, um abraço, um sorriso,
um colinho, um olhar sem compromisso,
a presença que marca
um outro alguém.

É gostoso amar na brincadeira,
colorindo a alegria escondida,
que germina além qualquer ferida
e resgata a mina do tesouro
submerso na areia
do abandono.

Amar é tão simples,
sentar junto e escutar tantas histórias,
segurar com carinho, a mamadeira,
de surpresa, despertar lá da memória,
a criança que vive
em todos nós.

Dançar a emoção de quem se entrega,
cantar e correr no pega-pega,
superar-se e brincar de pula corda
na esperança do riso que acorda
a infância roubada
em violência.

Amar é tão simples
é viver a experiência do momento
e doar-se num livre envolvimento
pois amor é bem mais que sentimento,
é presença,
é ação que tem raiz.

É feliz quem entende que o amor
multiplica a vontade de amar,
não tem preço, começo ou final,
é uma chama que traz o ideal
para o alcance das nossas
próprias mãos.






                                Renata Villela, janeiro/2014

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Feliz Vida Nova !


Eu conheço quem considera a virada do ano uma grande bobagem, já que é apenas mais um mês que termina para dar início a outro. Não posso dizer que esta seja uma constatação errada, mas defendo a máxima de que o ser humano precisa de ritos e a “virada” é um desses ritos importantes para nos manter vivos (e não apenas sobreviventes de uma era desordenada e doida!).
Ainda que durante o ano façamos promessas de mudança, planejemos realizações, revisemos nossa caminhada, é nessa época do ano que passamos a limpo  tudo o que fizemos e deixamos de fazer e colocamo-nos cara a cara com nosso próprio eu, numa espécie de prestação de contas.
É chegada a hora de nos esvaziar de tudo o que nos causou estresse, provocou mágoas, abriu feridas  e  fez sofrer. De tudo isso, como mandava a velha matemática, noves fora,  fica o aprendizado para vivermos melhor, mais conscientes de nossos limites, de nossas fragilidades, de nossas necessidades e dos trunfos que trazemos para ganhar os campeonatos que a vida nos propõe (ou impõe).
É chegada a hora de fazer um check list de nossos compromissos para o ano novo, escrever numa folha de papel, colocando prazos. Criar metas para nós mesmos é um excelente exercício de desenvolvimento pessoal. Corremos o ano todo para cumprir metas estabelecidas pelos outros e para os outros.  Criar metas para nós mesmos é uma forma de declarar nosso amor pela pessoa que somos, buscando ser melhor a cada dia, não para atender expectativas e padrões, mas para tornar visível o desejo que nos move: queremos ser felizes.
E felicidade é o tipo da coisa que muda conforme o dono: para uns, ser feliz é ter saúde, para outros é ter dinheiro; para uns, é ser livre, para outros, é estar amarrado a alguém; para uns, é viver aventuras, para outros é ter estabilidade; para uns, é ter um corpo bonito, para outros, é viver numa sociedade bonita; para uns, é dormir tranquilo todas as noites, para outros é ter todo segundo ocupado; para uns, é sentir-se sempre desafiado e superar-se, para outros é sentir-se recompensado e aconchegado num ponto de chegada; para uns, é ver felizes, as pessoas com quem convive, para outros é fazer o possível para que o máximo de pessoas esteja feliz. Não importa qual seu conceito de felicidade, importa é não cruzar os braços, deixando que ela passe pelo lado de fora.
É chegada a hora de abrir as portas de nossos corações e deixar com que sejam invadidos por nossos sonhos e esperanças, por todos os nossos desejos , dos mais simples aos mais complexos, os que só dependem de nós e os que dependem de toda uma conjuntura. É bom saboreá-los todos, indistintamente, para depois, sim, avaliarmos em quais precisaremos investir nossa energia.
Realmente, quando os relógios apontarem meia-noite, os fogos estourarem no céu, as pessoas se abraçarem, a Terra não vai mudar sua rotação nem sua translação, as guerras e atos terroristas não  acabarão, abóboras não se transformarão em carruagens, sapos não virarão príncipes, a corrupção continuará “comendo pelas beiradas”, cidades continuarão perdendo a guerra contra a força da natureza...  Somente uma coisa poderá mudar nessa virada de ano: nossas atitudes !
É certo que todo minuto da vida é oportunidade de mudar, mas já que o mundo nos faz esse convite explícito para virarmos uma página de nossas vidas,  eu proponho que digamos sim e iniciemos um novo capítulo de nossa história.
Que vivamos esse rito com alegria, com fé e com coragem, que assumamos o compromisso de sermos promotores da paz através de nossas atitudes diárias e que, mesmo que pulemos  sete ondinhas, que coloquemos o pé direito na frente,  que comamos lentilhas, guardemos em nossos corações a certeza de que somos nós os responsáveis pelo que fazemos de nossas vidas!
E que façamos de nossas vidas o mais bonito presente para a humanidade!

Renata Villela (dezembro/2013)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Tempo de Natal

Novamente chega dezembro, mais uma vez, é tempo de Natal. Temos, como em todos os anos, diferentes alternativas para viver esse tempo. Podemos ocupar a maior parte de nossas horas do dia indo aos shoppings superlotados, comprar, comprar, comprar, fazer dívidas maiores do que nossa condição de pagá-las e nos deixar levar pela turba contagiada pelo consumismo. Podemos, por outro lado, simplesmente, aproveitar esse tempo para presentear as pessoas que amamos, independente do valor material que esses presentes tenham, apenas como uma forma de materializar nosso carinho. Podemos também não comprar nada e nos esquivar desse lado que o comércio tanto gosta de explorar. O mais importante é que, independente de qual seja a nossa escolha, tenhamos viva dentro de nós a certeza de quem é o dono de quem: temos o dinheiro que compra ou o dinheiro nos tem com reféns? Reforçarmos ou recuperarmos nosso lugar de sujeitos da história é o que realmente importa. Não sendo assim, a manjedoura continuará vazia!
É tempo de Natal! Podemos nos preocupar com a ceia, para que seja a mais deliciosa possível, perus, leitões, bacalhau, tender, frutas secas, nozes, avelãs, castanhas, saladas variadas, toalhas coloridas... Podemos, por outro lado, arrumar a mesa da cozinha e lá colocar feijão, arroz e carne seca. Podemos, ainda, ter apenas um pedaço de pão... Na verdade, meu sentimento é de que pouco importa o que está sobre a mesa, importa quem está em torno dela: que sejam pessoas que partilham seu dia-a-dia com amor e respeito mútuo, que sejam pessoas dispostas a revisitar seus cantinhos escuros para, assim, transformarem-se em pessoas melhores para o outro, pessoas com dificuldades, com espinhos, pecadoras, mas que se esforçam para se entregar e integrar por causa do Amor que as faz amar. Se não for assim, a manjedoura continuará vazia!
Podemos tantas coisas...Ir à missa ou ao culto, ou ao lugar sagrado, seja ele qual for, onde nos sintonizamos com Deus todos os dias, ou podemos não conseguir  ir a esses lugares, tantas vezes quanto gostaríamos. Podemos fazer novena, retiros espirituais, silenciar,mergulhar em nossos corações  e buscar no silêncio, o Amor que nos renova. Podemos também  exercitar esse amor  visitando creches, orfanatos, asilos, na ânsia de fazer o que desejamos durante todos os meses do ano, mas acabamos nos deixando levar pelo corre-corre ou pela rotina.  Não importa qual o caminho que  encontramos para desempoeirar nosso desejo de amar nesse tempo de Natal, importa, sim, que esse desejo se torne realidade e nos faça crescer em fraternidade...E nos impulsione a multiplicar os momentos de encontro, seja com nosso eu mais profundo, seja com os pequeninos de Deus, sempre como exercício de amor porque, se não for assim, a manjedoura continuará vazia.
Podemos encarar o mês de dezembro como apenas mais um mês do ano, igual a todos os outros. Podemos encarar esse tempo como oportunidade de fazer o que sentimos vontade durante o ano e não conseguimos. Podemos chorar de saudade do tempo que se foi ou das pessoas que partiram. Podemos voltar à infância olhando as crianças diante do Papai Noel. Podemos tirar um percentual de nosso salário para contribuir com uma dessas campanhas que sempre acontecem aos dezembros. Podemos armar nossa árvore e arrumar nosso presépio. Mas se tudo isso for feito mecanicamente, como quem repete a mesma coisa que faz desde que nasceu... Sinto muito, a manjedoura continuará vazia.
Viver o Natal é se permitir ser a manjedoura vazia onde Jesus Menino nasce para viver, dentro de nós, durante os 365 dias do ano. Viver o Natal é faxinar nossa casa, passar a limpo a história que escrevemos ao longo do ano, revendo tudo o que nos fez sofrer (ou que fez alguém sofrer), repensando todas as oportunidades de fazer o bem a alguém, que deixamos passar  batidas, por omissão ou comodismo e, com a casa arrumada, nos predispormos a viver diferente. Viver o Natal é sentir – de dentro para fora – que podemos ser pessoas melhores sempre, que Deus nos ama do jeito que somos, pequenos, pecadores, falíveis e faltantes e espera de nós, quetambém amemos, inclusive quem nos faz mal, doando  nossos tesouros a quem cruzar nossos caminhos.
Viver o Natal é simples, apesar de não ser fácil, mas não é fácil,justamente, porque aprendemos a complicar tudo, a transformar supérfluos em primeiras necessidades, a desconfiar de todos, a pagar por tudo e, assim,  desaprendemos a simplicidade, a gratuidade, o companheirismo e a confiança.
Tudo começa num SIM.  E eu acredito que, a cada Natal, menos manjedouras estarão vazias, por mais que a mídia noticie o inverso.
Tudo começa num SIM. E eu acredito que viver o Natal não é apenas relembrar o que já aconteceu. É fazer acontecer o que virá, com AMOR.
Pensando assim ou, mais do que isso, sentindo assim, que consigamos viver cada Natal e todos os Natais, como a terna oportunidade que Deus nos dá de acolher o Amor em nossos corações e assumir o compromisso de, encontrando manjedouras vazias, apontar a estrela que mostra o caminho ao Salvador.


Renata Villela  -  Dezembro/2013