Em tempos de carnaval sempre vale pensar nas alegrias e ALEGRIAS e na responsabilidade que temos sobre elas !
Blog de Renata Villela: meu posicionamento em relação à vida, ao mundo,às pessoas. Textos, poesias, mensagens, fotos, comentários, reflexões, dicas e orações sobre temas diversos.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Aquarela de Viver
Em tempos de carnaval sempre vale pensar nas alegrias e ALEGRIAS e na responsabilidade que temos sobre elas !
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Natal do Menino Jesus
É chegada a hora, o Menino vai nascer !
Quando chega o Advento, minha sensação é de faxina
interior. Aos poucos vou tentando desempoeirar meu coração, jogar fora velhas
mágoas, lustrar meus relacionamentos, rearrumar minha estante de prioridades.
Quero arrumar a minha casa para receber o Menino Deus. Nessa faxina, revejo
cada momento de minha vida, como um filme, e fico pensando em quantas vezes não
fui digna de recebê-Lo na casa do meu coração, porque fui egoísta, fui
intolerante, fui omissa. Nessa faxina, abro as portas e janelas para que o ar
do Novo Tempo penetre em meus cantos mais escuros e peço perdão por todos os
meus erros e também pelas vezes em que deixei de fazer o bem, afinal, apenas
não fazer o mal não basta. É urgente fazer o bem! É urgente sermos testemunhas
do amor de Deus em cada uma de nossas atitudes durante todo o tempo de nossas
vidas. É pensando assim que rearrumo meu coração: quero ser manjedoura!
Esse é o convite que eu faço, também, a todos os que
se dispõem a viver o Natal de dentro para fora: sejamos manjedouras! Não nos
preocupemos em ser perfeitos, lembremos que ELE escolheu as palhas, não os
palácios. É aos pequeninos, aos imperfeitos, aos doentes, aos pecadores, aos
que se dispõem a ser pessoas melhores que Jesus nasce... Pequenino! Indefeso!
Frágil! Igual a nós! Sim, não nos enganemos com as capas de super herois que,
muitas vezes, colocamos sobre nós, na tentativa de esconder nossos espinhos e
imperfeições... Não tem jeito, somos frágeis e vulneráveis, como galho que se
quebra em ventania. E por saber que somos assim e nos amar sendo quem somos,
que Deus se fez como nós.
Sejamos manjedouras para acolher, em oração, o Deus
que se fez criança para que percebêssemos o que é essencial e escolhêssemos
viver nossas vidas pautadas nesse Essencial. Sejamos manjedouras para acolher,
através de nossas atitudes diárias, aqueles que têm fome, que estão nus e
cansados, presos e desanimados, tristes e violentados.... É a Jesus que
acolhemos em cada um desses pequeninos, excluídos da sociedade, carentes e
famintos de justiça e paz.
Sejamos manjedouras! Sempre é tempo (e sempre há
tempo) de arrumar nossas casas e começar nossa faxina. Ele espera! Ele sempre
espera! Vamos jogar fora tudo o que nos afasta do projeto que Jesus sonhou.
Abramos nossas janelas e sintamos a brisa do Espírito do Natal tomar conta de
tudo, renovar nossas forças, alimentar nossos sonhos e, sobretudo, despertar
nossos corações para a realidade que pulsa do outro lado da rua. Repito: não fazer o mal é muito pouco! Até
porque – seres imperfeitos que somos – de alguma forma, vez por outra pisamos na
bola! Faz parte da natureza humana. Precisamos mais do que cuidar para não
fazer o mal. Precisamos nos inquietar diante das coisas do mundo, nos
desacomodar diante das facilidades do nosso tempo e ir aonde o povo está. Precisamos
enxergar o Menino que nasce hoje e continua encontrando portas fechadas
Vivamos a experiência do Natal todos os dias do ano.
Guardemos o dia 25 de dezembro como memorial do Amor que dá novo sentido às
nossas vidas, quebra os paradigmas da sociedade do ter e do poder e nos inspira
a renovar nossa esperança em um mundo mais fraterno. Para além da data
histórica, vivamos - sem restrições – a experiência de reconhecer o Menino
Jesus entre nós, no dia a dia. Muito mais do que um dia especial do ano, o
Natal é uma proposta de vida.
Aaaah, meu
Menino, abre nossos olhos e nossos corações!!! Escuta nossas preces e vem ao
nosso encontro!
Inspira-nos
a olhar com mais cuidado e ternura para cada criança, esteja ela onde estiver: nas
esquinas, nos apartamentos, nas escolas, nos abrigos, nos shoppings, nas praças...
Cada uma tem sua dor e sua história, cada uma tem sua ingenuidade e seus
medos...Tão pouco olhamos para elas com o olhar de quem ama!
Ensina-nos a
simplicidade de quem não faz exigências, não critica desconfortos nem lamenta
frustrações; sabe o que é, de fato, importante.
Impulsiona-nos
a sair de nossos sofás, de nossas cadeiras, da frente dos computadores e das
TVs, da redoma de nossos escritórios e condomínios e lança-nos às periferias,
onde o povo bate laje, senta na calçada e corre de tiroteios quase diários.
Instiga-nos,
com Seu Exemplo, a respeitar as diferenças, a não discriminar, a abraçar
aqueles que nossa sociedade exclui, sem taxá-los, categorizá-los ou rotulá-los.
Contagia-nos a sentir cada um como irmão; a amar cada um como irmão.
Ah, meu Menino,
faz-nos reconhecê-Lo no bebê abandonado na maternidade, na criança espancada,
violentada, esquecida, machucada, comprometida em seu desenvolvimento por causa
da violência e do descaso, da irresponsabilidade e da inconsequência.
Movimenta-nos ao encontro de cada pessoa que sofre, fazendo nosso coração sentir
a graça da Sua presença em cada uma delas.
Inspira-nos,
Deus do Amor, a ser pessoas melhores, a julgar menos e acolher mais, a exigir
menos e doar-nos mais, a apontar menos para o outro e olhar mais para nós
mesmos antes de qualquer crítica. Ensina-nos a empatia, a alegria, o
encantamento de servir. E perdoa-nos por todas as vezes em que nos deixamos
vencer pela acomodação e pelo egoismo.
Meu Jesus
Menino, aceita nossos corações como Seu berço. Eis-nos aqui ! Nasce em nós!
Transforma-nos!
Amém!
Renata Villela - Dezembro/2014
Renata Villela - Dezembro/2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
Eu sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor...
Desde que a Copa do Mundo começou, eu queria escrever.... Algum
bichinho aqui dentro, entretanto, me dizia para esperar...Chegou a hora!
São várias reflexões, alguns questionamentos, certezas que
nasceram, dúvidas que surgiram...E o desejo de partilhar com vocês o que ficou.
Hoje, no trabalho, eu falei para alguns líderes que “o mundo da retórica deu
lugar ao mundo da síntese”, mas peço desculpas a todos, pois aqui o que vou
usar é a retórica. Fica o desafio de ler até o fim....rs.....
Antes de qualquer coisa, quero dizer com toda verdade de meu
coração que o que estou escrevendo é o que penso e sinto. Respeito outras
opiniões e outras percepções. Sei que muitas vezes falo e escrevo com uma
entonação que pode parecer que sou a dona da verdade, mas falo o que acredito,
o que é verdade PARA MIM. Não acredito na verdade absoluta, por isso acho muito
legal esse espaço de liberdade onde cada um pode, ao mesmo tempo, expressar e
receber a “verdade” de cada um, sabendo que todas são relativas.
A primeira coisa que
eu quero resgatar é o que falei desde o início: consciência política é
consciência política, esporte é esporte. Não acho legal misturar as coisas. Não
quero trazer aqui as críticas e questionamentos sobre a realização do Copa no
Brasil e os interesses políticos que permearam nossa história, desde a decisão
até a realização da Copa. Como a maioria dos brasileiros, concordo que temos
outras prioridades, mas não é essa a tônica do que quero falar.
Acho a Copa do mundo um evento muito legal: a reunião de
famílias, de amigos, a alegria e o sofrimento comum, o esporte assumindo um
papel importante (que ele deve sempre ter) na vida das pessoas. Eu falei
importante, não fundamental. Não adianta a gente querer que o povo deixe de
curtir os jogos de futebol, não adianta ficar repetindo que é “tudo pão e circo”.
Gostamos de futebol! Podemos continuar gostando de futebol, não tem nada de
errado nisso. Povos cultos e educados também gostam de futebol. Na minha
cabeça, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Acho muito legal
também ver o povo cantando junto o hino nacional, esse sentimento de sermos “brasileiros
com muito orgulho e com muito amor”, mas isso eu comento depois.
Aí vem o jogo de hoje: uma derrota inacreditável! Nenhum de
nós esperava por aquilo... Mas o pior, para mim, não aconteceu dentro do campo,
mas fora. O pior foi ver os jornalistas dizerem que o jogo foi a maior
humilhação que o Brasil já passou em sua história, que vivemos uma vergonha
nacional e que as crianças jamais vão esquecer a tragédia deste dia....Com
certeza foi um dia crítico, mas um dia crítico para o FUTEBOL brasileiro, não
para a história do país! Pelo amor de Deus.... Depois as pessoas ficam chamando
os jogadores de chorões e descompensados... Como não ficar assim diante do
papel de super-heróis e da responsabilidade de “salvar” o país que se colocou
sobre eles? Eles são apenas jogadores de futebol! Eles jogaram mal, sim. Não
estou aqui com lentes cor-de-rosa para dizer que eles jogaram bem e perderam por
azar. Eles perderam porque jogaram mal e, por outro lado, a seleção alemã jogou
muito bem. Eles perderam porque se descompensaram, sim.... Mas será que algum
de nós não teria se descompensado em situação semelhante? Como a maioria dos brasileiros, fiquei triste
e decepcionada.... Aaaahhh, seria tão legal levantar a taça no Maracanã.... Mas
longe de ter ficado arrasada ou com raiva dos jogadores, muito menos sentindo
vergonha.... Vergonha de quê? Perdemos de 7 a 1. Ponto.
Outras reflexões:
Não entendo muito de futebol, de táticas e técnicas. Não
entendo nada da política que corre por trás de uma Copa do Mundo (nem quero
entender), mas do pouco que entendo de gente e da paixão que tenho pelo ser
humano, algumas coisas ficam reverberando no meu coração. A primeira delas é o
exercício da empatia...Colocar-me no lugar desses meninos que estavam no campo.
Sim, meninos! Os personagens dessa história têm, em média, 25 anos. É uma das
seleções mais jovens da Copa. A maioria deles vêm de família pobre, cada um com
sua história. Cada um já esteve do outro lado, passando por situações difíceis
no seu dia a dia e se deslumbrando com os jogos da Seleção. Hoje se veem do
lado de quem escreve a história (do futebol!). Imagino-os transbordando de
desejo de dar ao povo – que eles conhecem tão bem – a alegria da vitória. Estou
falando aqui na esfera dos “sonhos”. Na camisa de cada um deles estava o peso
da realização de um sonho dos brasileiros.... Que coisa maluca, mas tão
verdadeira! E, num país como o nosso, em que o coração pulsa em todas as
células do corpo, não teria como ser diferente...Não nesse momento!
Abro aqui um parêntese para falar dos altos salários que
recebem como jogadores profissionais nos times em que atuam. Eu sou a primeira
a criticar a distorção do que é pago a um jogador de futebol e a um médico ou a
um professor...E aqui não estou falando de Brasil, até porque não é o Brasil, o
país que faz essas grandes distorções, mas sim, os países mais educados e
cultos do mundo...Ironia.... Países que hoje conhecem a dor do desemprego tanto
quanto nós. Li uma reportagem que dizia que 70% da população ativa da Espanha
está desempregada. Justamente o país do Barcelona, do Real Madrid.... Não quero
entrar nesta seara, foi mesmo só um parêntese. O que eu queria, nesse
parêntese, era trazer o questionamento sobre a responsabilidade de quem paga,
mais do que de quem recebe. A quem recebe, cabe a responsabilidade de usar bem
o que ganha, sabendo direcionar o possível para o bem comum. Eu não sei o que
cada um faz com o que ganha, por isso, não vou julgar. Também não conheço
ninguém que se recebesse a oferta de um salário astronômico diria que não quer.
Conheço, sim, muitas pessoas que aceitariam e direcionaria 90% de tudo para o
social. Resumindo: o absurdo é pagar salários astronômicos, receber não é
pecado! Mas isso também é papo para mais de metro, assunto para outro texto,
talvez....rs....
Voltando....
Como já escrevi demais (avisei antes!), vou pontuar algumas
coisas em tópicos:
1.
Já vi, em outras Copas, o povo criticando os
jogadores por jogarem de “salto alto”. Não vi isso nessa seleção. Vi coração
pulsando na ponta de cada chuteira. Vi um time jogando com garra, com vontade, com
“propósito”. Agora criticamos o excesso de emoção....Somos assim!
2.
Somos latino-americanos, é fato. Somos um povo
com a emoção a flor da pele. Não crucifico os jogadores por terem chorado
depois da pressão do jogo contra o Chile. São humanos. Já vi muita gente chorar
depois de realizar um objetivo que parecia impossível. Não condeno os jogadores
por terem dado caruara depois de tomarem 4 gols em seis minutos... Não achei
natural, não fiquei tranquila, achando que estava tudo certo. Óbvio que não! Fiquei
triste e decepcionada também, mas não consegui deixar de me colocar no lugar
deles. Há cerca de 3 anos, mais ou menos, fez-se a opção de iniciar um trabalho
com uma nova seleção. Zerar tudo e começar a preparar um time. Todo mundo sabia
que a escolha era essa e a escolha tem seu preço. Não dá para querer exigir
desses meninos, a maturidade que nós desejamos que tenham. Não dá para cobrar
um resultado sem a preparação necessária. Essa paulada os fará amadurecer e
trará um aprendizado inenarrável. Que eles saibam aproveitar e crescer.
3.
Hoje,
numa reunião de trabalho falávamos sobre o erro, sobre a importância de errar
para aprender.... O erro aconteceu...E um erro grave. E agora? Fazer o que com
isso? Se em campo, no futebol, eles deixaram MUITO a desejar, ao saírem do
campo, na minha opinião, foram nota dez: não colocaram a culpa em ninguém, não
fugiram à responsabilidade, pediram desculpas ao povo brasileiro e, mesmo
arrasados, levantaram a cabeça e aplaudiram a torcida. Não vai resolver o
problema, não vai mudar o curso da história, mas vai mostrar que se pode perder
com dignidade. Por outro lado, a torcida, mesmo arrasada e decepcionada, mesmo
tendo gritado olé em vários momentos do jogo, respondeu as palmas dos jogadores
cantando “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”
4.
Contrária à opinião de muitos, eu vi nesse time,
um grupo. Vi vínculos criados, vi objetivo comum. A questão é que não é um
grupo pronto, mas um grupo em formação. Precisa ainda muito aprender, muito
praticar para criar o entrosamento necessário. A equipe da Alemanha trabalha
junto há 6 anos. Vi nessa seleção entrega e trabalho, vi seriedade e
comprometimento. Estou dizendo isso na perspectiva da profissão que escolheram,
não de salvadores da pátria.
5.
Contrariando novamente a opinião de muitos, para
mim, Felipão é um exemplo de líder. Ainda vou recuperar a entrevista que ele
deu depois do jogo para trabalhar suas palavras com as lideranças com que
trabalho. Não sei nada de sua competência técnica, mas já acho muito legal ele
fazer uma dobradinha com Parreira que, de cara, tem um estilo bem diferente do
dele. Como líder de pessoas, eu tiro o chapéu para ele. E hoje, depois do jogo,
ele agiu exatamente como eu considero que um verdadeiro líder deve agir.
6.
O esporte é um dos meios mais eficazes de
promover a educação. Através do esporte, muito se pode fazer. O esporte e a arte
são, na minha opinião, dois instrumentos importantíssimos no resgate da
dignidade e da autoestima das pessoas e ensinam muito. Talvez, um dos
aprendizados da Copa seja o de olhar para TODOS os esportes e não apenas para o
futebol e investir em todos, não como formadores de super heróis, como fábrica
de milionários ou de salvadores da pátria, mas como meios efetivos de encarar a
vida sob outra perspectiva. Falando nisso, alguém sabia que Thiago Pereira
ganhou medalha de outro na natação hoje?
7.
Para terminar os tópicos, só uma observação: eu
fiquei chocada com a agressividade que vi rolando nas redes sociais... Acho
legal o bom humor, aquela velha história de fazer limonada dos limões mais
azedos.... Eu mesma sempre posto algumas brincadeiras, acho saudável. Mais vi
alguns excessos que me incomodaram e, confesso, me deixaram mais triste do que
a partida em si.
Bem, foi só um jogo de futebol...Com certeza, apenas um jogo
de futebol. Mas foi um “evento” que mobilizou o país inteiro. Tudo o que
mobiliza merece atenção, merece reflexão. Tudo o que mobiliza, ensina. Claro,
ensina a quem se dispõe a aprender. E cada um aprende o que quer aprender. Espero
que aprendamos muito, não apenas com esses 7 a 1, mas com tudo o que aconteceu
nesses dias, o comportamento dos atletas e o comportamento da gente....
Para terminar, um pedido: não vamos fazer eco dessa história
de que somos o cocô do cavalo do bandido e os alemães são os maravilhosos. Vamos
acabar com essa história de que os alemães são pessoas sérias e trabalhadoras e
nós somos malandros e seguidores da lei de Gerson.... O que é isso, minha
gente? Não que não seja verdade a parte que compete a eles, mas não é possível
que nos enxerguemos dessa forma, indistintamente. Colocamos um chapéu em nossas
cabeças e assumimos esse personagem do malandro sem escrúpulos indistintamente?
Não, por favor! Temos muita gente fazendo mal a nosso país, sim, mas temos
muita gente competente, ralando, trabalhando e dando resultados sérios e
importantes para nossa sociedade. Temos pessoas corruptas, mas temos muita
gente do bem.... Enquanto nós, brasileiros, nos julgarmos assim, continuaremos
morando no quintal do mundo. Não se trata de colorir a realidade, mas de dar a
ela, a dimensão que ela tem. Por favor, nós, os brasileiros, não somos o que
andam dizendo por aí.... Se na nossa cesta existem laranjas podres, nela também
existem laranjas suculentas e capazes de alimentar a muitos.
Renata Villela
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Amar é tão simles
Amar é tão simples,
um carinho, um abraço, um sorriso,
um colinho, um olhar sem compromisso,
a presença que marca
um outro alguém.
É gostoso amar na brincadeira,
colorindo a alegria escondida,
que germina além qualquer ferida
e resgata a mina do tesouro
submerso na areia
do abandono.
Amar é tão simples,
sentar junto e escutar tantas histórias,
segurar com carinho, a mamadeira,
de surpresa, despertar lá da memória,
a criança que vive
em todos nós.
Dançar a emoção de quem se entrega,
cantar e correr no pega-pega,
superar-se e brincar de pula corda
na esperança do riso que acorda
a infância roubada
em violência.
Amar é tão simples
é viver a experiência do momento
e doar-se num livre envolvimento
pois amor é bem mais que sentimento,
é presença,
é ação que tem raiz.
É feliz quem entende que o amor
multiplica a vontade de amar,
não tem preço, começo ou final,
é uma chama que traz o ideal
para o alcance das nossas
próprias mãos.
Renata Villela, janeiro/2014
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Feliz Vida Nova !
Eu conheço quem considera a virada do ano uma
grande bobagem, já que é apenas mais um mês que termina para dar início a
outro. Não posso dizer que esta seja uma constatação errada, mas defendo a
máxima de que o ser humano precisa de ritos e a “virada” é um desses ritos
importantes para nos manter vivos (e não apenas sobreviventes de uma era
desordenada e doida!).
Ainda que durante o ano façamos promessas de
mudança, planejemos realizações, revisemos nossa caminhada, é nessa época do
ano que passamos a limpo tudo o que fizemos e deixamos de fazer e
colocamo-nos cara a cara com nosso próprio eu, numa espécie de prestação de
contas.
É chegada a hora de nos esvaziar de tudo o que nos
causou estresse, provocou mágoas, abriu feridas e fez sofrer. De
tudo isso, como mandava a velha matemática, noves fora, fica o
aprendizado para vivermos melhor, mais conscientes de nossos limites, de nossas
fragilidades, de nossas necessidades e dos trunfos que trazemos para ganhar os
campeonatos que a vida nos propõe (ou impõe).
É chegada a hora de fazer um check list de nossos compromissos para o ano novo, escrever numa folha de
papel, colocando prazos. Criar metas para nós mesmos é um excelente exercício
de desenvolvimento pessoal. Corremos o ano todo para cumprir metas estabelecidas
pelos outros e para os outros. Criar metas para nós mesmos é uma forma de
declarar nosso amor pela pessoa que somos, buscando ser melhor a cada dia, não
para atender expectativas e padrões, mas para tornar visível o desejo que nos
move: queremos ser felizes.
E felicidade é o tipo da coisa que muda conforme o
dono: para uns, ser feliz é ter saúde, para outros é ter dinheiro; para uns, é
ser livre, para outros, é estar amarrado a alguém; para uns, é viver aventuras,
para outros é ter estabilidade; para uns, é ter um corpo bonito, para outros, é
viver numa sociedade bonita; para uns, é dormir tranquilo todas as noites, para
outros é ter todo segundo ocupado; para uns, é sentir-se sempre desafiado e
superar-se, para outros é sentir-se recompensado e aconchegado num ponto de
chegada; para uns, é ver felizes, as pessoas com quem convive, para outros é
fazer o possível para que o máximo de pessoas esteja feliz. Não importa qual
seu conceito de felicidade, importa é não cruzar os braços, deixando que ela passe
pelo lado de fora.
É chegada a hora de abrir as portas de nossos
corações e deixar com que sejam invadidos por nossos sonhos e esperanças, por
todos os nossos desejos , dos mais simples aos mais complexos, os que só
dependem de nós e os que dependem de toda uma conjuntura. É bom saboreá-los
todos, indistintamente, para depois, sim, avaliarmos em quais precisaremos
investir nossa energia.
Realmente, quando os relógios apontarem meia-noite,
os fogos estourarem no céu, as pessoas se abraçarem, a Terra não vai mudar sua
rotação nem sua translação, as guerras e atos terroristas não acabarão,
abóboras não se transformarão em carruagens, sapos não virarão príncipes, a
corrupção continuará “comendo pelas beiradas”, cidades continuarão perdendo a
guerra contra a força da natureza... Somente uma coisa poderá mudar nessa
virada de ano: nossas atitudes !
É certo que todo minuto da vida é oportunidade de
mudar, mas já que o mundo nos faz esse convite explícito para virarmos uma
página de nossas vidas, eu proponho que digamos sim e iniciemos um novo
capítulo de nossa história.
Que vivamos esse rito com alegria, com fé e com
coragem, que assumamos o compromisso de sermos promotores da paz através de
nossas atitudes diárias e que, mesmo que pulemos sete ondinhas, que coloquemos
o pé direito na frente, que comamos lentilhas, guardemos em nossos
corações a certeza de que somos nós os responsáveis pelo que fazemos de nossas
vidas!
E que façamos de nossas vidas o mais bonito
presente para a humanidade!
Renata Villela (dezembro/2013)
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Tempo de Natal
Novamente chega dezembro, mais uma vez, é tempo
de Natal. Temos, como em todos os anos, diferentes alternativas para viver esse
tempo. Podemos ocupar a maior parte de nossas horas do dia indo aos shoppings
superlotados, comprar, comprar, comprar, fazer dívidas maiores do que nossa
condição de pagá-las e nos deixar levar pela turba contagiada pelo consumismo.
Podemos, por outro lado, simplesmente, aproveitar esse tempo para presentear as
pessoas que amamos, independente do valor material que esses presentes tenham,
apenas como uma forma de materializar nosso carinho. Podemos também não comprar
nada e nos esquivar desse lado que o comércio tanto gosta de explorar. O mais
importante é que, independente de qual seja a nossa escolha, tenhamos viva
dentro de nós a certeza de quem é o dono de quem: temos o dinheiro que compra
ou o dinheiro nos tem com reféns? Reforçarmos ou recuperarmos nosso lugar de
sujeitos da história é o que realmente importa. Não sendo assim, a manjedoura
continuará vazia!
É tempo de Natal! Podemos nos preocupar com a
ceia, para que seja a mais deliciosa possível, perus, leitões, bacalhau,
tender, frutas secas, nozes, avelãs, castanhas, saladas variadas, toalhas
coloridas... Podemos, por outro lado, arrumar a mesa da cozinha e lá colocar
feijão, arroz e carne seca. Podemos, ainda, ter apenas um pedaço de pão... Na
verdade, meu sentimento é de que pouco importa o que está sobre a mesa, importa
quem está em torno dela: que sejam pessoas que partilham seu dia-a-dia com amor
e respeito mútuo, que sejam pessoas dispostas a revisitar seus cantinhos
escuros para, assim, transformarem-se em pessoas melhores para o outro, pessoas
com dificuldades, com espinhos, pecadoras, mas que se esforçam para se entregar
e integrar por causa do Amor que as faz amar. Se não for assim, a manjedoura
continuará vazia!
Podemos tantas coisas...Ir à missa ou ao culto,
ou ao lugar sagrado, seja ele qual for, onde nos sintonizamos com Deus todos os
dias, ou podemos não conseguir ir a
esses lugares, tantas vezes quanto gostaríamos. Podemos fazer novena, retiros
espirituais, silenciar,mergulhar em nossos corações e buscar no silêncio, o Amor que nos renova.
Podemos também exercitar esse amor visitando creches, orfanatos, asilos, na
ânsia de fazer o que desejamos durante todos os meses do ano, mas acabamos nos
deixando levar pelo corre-corre ou pela rotina.
Não importa qual o caminho que
encontramos para desempoeirar nosso desejo de amar nesse tempo de Natal,
importa, sim, que esse desejo se torne realidade e nos faça crescer em
fraternidade...E nos impulsione a multiplicar os momentos de encontro, seja com
nosso eu mais profundo, seja com os pequeninos de Deus, sempre como exercício
de amor porque, se não for assim, a manjedoura continuará vazia.
Podemos encarar o mês de dezembro como apenas
mais um mês do ano, igual a todos os outros. Podemos encarar esse tempo como
oportunidade de fazer o que sentimos vontade durante o ano e não conseguimos.
Podemos chorar de saudade do tempo que se foi ou das pessoas que partiram.
Podemos voltar à infância olhando as crianças diante do Papai Noel. Podemos
tirar um percentual de nosso salário para contribuir com uma dessas campanhas
que sempre acontecem aos dezembros. Podemos armar nossa árvore e arrumar nosso
presépio. Mas se tudo isso for feito mecanicamente, como quem repete a mesma
coisa que faz desde que nasceu... Sinto muito, a manjedoura continuará vazia.
Viver o Natal é se permitir ser a manjedoura
vazia onde Jesus Menino nasce para viver, dentro de nós, durante os 365 dias do
ano. Viver o Natal é faxinar nossa casa, passar a limpo a história que
escrevemos ao longo do ano, revendo tudo o que nos fez sofrer (ou que fez
alguém sofrer), repensando todas as oportunidades de fazer o bem a alguém, que
deixamos passar batidas, por omissão ou
comodismo e, com a casa arrumada, nos predispormos a viver diferente. Viver o
Natal é sentir – de dentro para fora – que podemos ser pessoas melhores sempre,
que Deus nos ama do jeito que somos, pequenos, pecadores, falíveis e faltantes
e espera de nós, quetambém amemos, inclusive quem nos faz mal, doando nossos tesouros a quem cruzar nossos
caminhos.
Viver o Natal é simples, apesar de não ser
fácil, mas não é fácil,justamente, porque aprendemos a complicar tudo, a
transformar supérfluos em primeiras necessidades, a desconfiar de todos, a
pagar por tudo e, assim, desaprendemos a
simplicidade, a gratuidade, o companheirismo e a confiança.
Tudo começa num SIM. E eu acredito que, a cada Natal, menos
manjedouras estarão vazias, por mais que a mídia noticie o inverso.
Tudo começa num SIM. E eu acredito que viver o
Natal não é apenas relembrar o que já aconteceu. É fazer acontecer o que virá,
com AMOR.
Pensando assim ou, mais do que isso, sentindo
assim, que consigamos viver cada Natal e todos os Natais, como a terna
oportunidade que Deus nos dá de acolher o Amor em nossos corações e assumir o
compromisso de, encontrando manjedouras vazias, apontar a estrela que mostra o
caminho ao Salvador.
Renata
Villela - Dezembro/2013
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
A vida e o tempo
O tempo é
artesão da vida
a bordar
cada momento
com fios de
eternidade
ou de
esquecimento
a depender
de nossas escolhas.
O tempo
guarda tesouros
em
lembranças preciosas
que, um dia,
viram saudade.
O tempo
também esconde tristezas
pela certeza
de que oportunidades perdidas
evaporam... E
não voltam jamais!
A vida guarda surpresas
e segredos...
Cicatrizes
que escondem dores
e encontros
que refletem cores
feito
arco-íris
que dão
sentido
à nossa
caminhada.
A vida se
renova a todo instante
em que
alguém se torna importante
para nossa
lapidação.
A vida
esconde mistérios
por trás de
janelas e portas
que somente
quando abertas
apontam os
caminhos do coração.
A certa
altura da vida, aprendemos
que se o
tempo tem seu próprio comandante,
nós temos o
que há de mais importante:
a chave da
vida em nossas mãos.
E se, às
vezes,
na porta
encontramos cadeados,
vale o
aprendizado
de saber
olhar para o lado,
deixando
brotar a alegria
de uma
companhia que surge
de um lugar
qualquer.
Assim é a
vida....
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