sábado, 19 de maio de 2012

Ensina-me, Mãe !





Maria, cheia de graça,
plena em Deus!
Pura na vivência do amor
que é ternura enraizada
na experiência da fé.
Mulher !

Senhora nossa, senhora de si...
Íntegra, digna,
fiel a Deus,
mãe de Deus, em Jesus,
presença na cruz...
de pé !

Ensina-me, Mulher,
a não esmorecer,
a não desesperar,
a ficar de pé,
na cruz.

Maria – resignada, consciente,
tolerante, persistente,
paciente no respeito
ao tempo de Deus.
Maria, minha mãe !
Maria que me acolhe e ensina,
que me aquieta e anima,
ensina-me a amar !
Ensina-me a calar
meus próprios ruídos
-         que são os mais barulhentos;
faz-me buscar o silêncio
que tudo diz.

Ensina-me, Maria,
a aparecer somente
quando for necessário transparecer
o amor e a paz que É !
É tudo !

Ensina-me, Mãe,
a não querer entender
nem explicar
o que vem de outra fonte.
Anima minha alma
a mais que sentir o amor,
mergulhar nEle
para vivê-Lo na intensidade
de quem se entrega.

Ensina-me, Mãe,
a me entregar assim,
sem medidas,
com a confiança de quem
simplesmente crê.
Ensina-me, Mãe,
esse amor que tem raízes e asas,
que faz calar,
que faz guardar,
partilhar, agir, viver
na leveza de quem confia
e não teme...

Não teme o não planejado,
o não desejado,
o não esperado...
Aceita ! Confia ! Entrega ! Silencia !

E no silêncio, escuta;
e no silêncio, acata
deixa que a voz conte o segredo,
dissipe o medo,
aponte o caminho
e traga o carinho
que amansa qualquer dor.

Amém !

Renata  Villela

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Somos


Somos
o que fazemos de nossas vidas,
Pérolas depois das feridas,
Asas que romperam cascas  
para voar.
Somos a resposta das perguntas
que ousamos formular;
somos o receio e o encanto
do pescador que vai ao mar.

Somos a possibilidade
que nasce das alternativas,
a novidade que brota
das ideias criativas;
Somos o riso e a graça,
a manha e a pirraça;
somos o sonho que desperta
na janela aberta da vida.

Somos o pedaço que falta
no quebra-cabeças do outro,
somos o violão e a flauta,
e  a prata que se soma ao ouro.
Somos os diferentes
que se completam,
os corajosos que vão além;
somos os guerreiros que apostam
nos tesouros que nem mesmo veem.

Somos o que ficou do passado,
o presente transformado em amanhã;
somos a lua no meio da noite,
somos noite a espera da manhã.
Somos o sol em dia nublado
e o telhado na tempestade;
somos o céu avermelhado
na aquarela do final de tarde.
Somos a força que nos movimenta,
o sal e a pimenta,
o açúcar e o mel.

Somos estrada,
partida e chegada,
ar e fogo, água e chão.
Somos células multiplicadas,
lágrimas e gargalhadas,
sentimento e razão.
Somos a interseção
do bem e do mal,
da chuva e do sol.
Somos a imperfeição
do perfeito,
passageiros da Eternidade.
Somos a intenção
que se fez verdade
somos a humanidade
de Deus.


Renata Villela (maio/2012)

sábado, 5 de maio de 2012

Maria



Mais que um exemplo, referência,
mais do que emoção, consciência,
mais que coragem, entrega,
mais que esperança, certeza!

Mais que palavras, atitudes,
mais que conselhos, serviço,
mais que propostas, presença,
mais que conversas, silêncio!

Mais que espera, oração,
mais que pensamento, ação,
mais que quietude, humildade,
mais que desejos, fé!

Assim, para mim, é Maria
exemplo de mulher!

Santa em sua humanidade,
plena em sua integridade,
sorriso nas bodas de Caná,
lágrimas aos pés da cruz,
aquela  que nunca desistiu de amar,
sempre  presente na vida de Jesus
e de todos nós.

Que Ela nos envolva em seu abraço de ternura,
nos contagie em força, nessa vida dura,
e nos conceda a graça de ser doação,
com alegria e humildade,
leveza, beleza e oração.

Renata Villela (Maio/2012)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Começando o mês de Maria

Nada melhor para  começar o mês de maio do que rezar cantando uma Ave Maria.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Horto

http://www.youtube.com/watch?v=3tKJKRZXi_c&feature=youtu.be


O horto,
sempre haverá o horto,
o encontro com o vazio sem respostas,
solidão,
intensa solidão,
imensa solidão de quem se sabe humano, limitado...
e teme...
e treme...
e chora...

O horto,
sempre haverá o horto,
a procura ansiosa de quem esteja ao nosso lado
e vele por nós
e leve conosco o peso do que angustia.
Sempre haverá a ausência dos que pensamos ser presença,
presentes...
mas eis que pulsa a sentença derradeira de que a dor é solitária.
O aperto no peito, a rajada na pele,
o susto do inevitável encontro com a nossa pequeneza
e finitude.

O horto,
sempre haverá o horto,
porque é na solidão mais profunda
que Deus nos impulsiona à cruz que nos pertence
e alimenta a certeza de que o Amor sempre vence,
mesmo quando a derrota aparente se instala
e nos entala, nos fazendo enfraquecer...

O horto,
sempre haverá o horto,
porque só a solidão nos desperta para amanhecer,
porque só a solidão integra a sombra e a luz que habitam nosso ser ,
no mesmo mistério que dá significado à cruz,
no mesmo mistério que transforma grades em libertação
- consolação de quem crê,
comunhão de quem sabe que vida é graça pra se viver
na entrega constante de quem ama incondicionalmente.

-- 

sábado, 31 de março de 2012

Somos o Povo


Nós somos o povo que fica perto quando quer milagres
e o que se afasta quando há perigos;
o povo que celebra a chegada em Jerusalém
e o que simplesmente assiste a caminhada do Calvário.
Somos nós o povo que oferece vinho
e o mesmo que serve o cálice de fel.
Nós somos o povo que agradece
e o mesmo que acusa;
o povo que se mostra
e o mesmo que se omite;
o povo que louva
e o mesmo que condena;
o povo que precisa
e o mesmo que descarta;
o povo que quer tocar, ainda que seja nas vestes,
e o mesmo que as rasga,
o mesmo que ignora a dor.
Somos nós o povo !
O mesmo povo que clama “Ele é o Rei!”
e o que, impiedosamente, grita: “Crucifica-o!”
Nós somos o povo que partilha o pão,
que se diz irmão,
e o mesmo que nega, que trai
e que pede a condenação...
Somos nós o povo que levanta os ramos
e o mesmo que escolhe a cruz;
o povo que louva
e o mesmo que condena;
o povo que precisa
e o mesmo que descarta.
Somos nós o povo !
                

  Renata Villela

quarta-feira, 28 de março de 2012